Aos meus não namorados.
September 26th, 2011 § 1 Comment
Eu sinto muito meu bem. Sinto (no sentido do perdão) por querer saber demais. E por sempre descobrir demais. Sinto (no sentido de desculpas) por me envolver. No sentido de desculpas, afinal, a culpa disso tudo não é (só) minha.
Eu também sinto por sentir. Por não saber conter, por não saber ser menos. Sinto muito (muito mesmo)
Sinto também que não sentimos o mesmo. Sinto que, a cada ida você muda um pouquinho. Sinto que a cada volta você sente menos. Sinto que nossas liberdades são diferentes e nos apoiar a elas seria como confiar no desconfiável.
E desconfio que sinto que vai ser sempre assim.
Eu sinto muito meu bem, mas seria melhor se não tivessemos sentido nada…
Receita de corações queimados.
September 14th, 2011 § Leave a Comment
Metade de mim é decepção. A outra metade é vazia. Nessa outra metade adicione dor, raiva, uma pitada de um desespero maluco e muito, muito do que já vivi antes. Jogue tudo num processador. Processe.
Tempere com desejos não realizados, com expectativas estraçalhadas (que não deveriam existir nessa época do ano. Não é tempo de colher expectativa), aquela catarse que dá o toque especial. É o que se sente primeiro ao experimentar.
A segunda parte é simples. Amasse, sove, machuque. Desconte sua raiva. Deixe descansar. Não dê sinal de vida, não procure saber se essa massa cresceu ou perdeu o ponto.
Corte como desejar. Pedacinhos, nacos que se encontram vez por outra e se juntam numa forma pequena, que diminui cada vez mais.
A parte importante. Leve para o fogo e queime. O importante é não deixar um pedaço intacto.
Se quiser decorar por cima, com enfeites estúpidos e outros doces sortidos, fica a seu critério.
Tempo de preparo: Pouco mais de um mês.
Rendimento: Um coração despedaçado.
Observação: Cada vez que preparam essa receita, uma parte dos ingredientes originais se perde. Ingredientes esses raros de se encontrar. Essa receita deveria ser consumida com moderação.