Metade de mim é decepção. A outra metade é vazia. Nessa outra metade adicione dor, raiva, uma pitada de um desespero maluco e muito, muito do que já vivi antes. Jogue tudo num processador. Processe.
Tempere com desejos não realizados, com expectativas estraçalhadas (que não deveriam existir nessa época do ano. Não é tempo de colher expectativa), aquela catarse que dá o toque especial. É o que se sente primeiro ao experimentar.
A segunda parte é simples. Amasse, sove, machuque. Desconte sua raiva. Deixe descansar. Não dê sinal de vida, não procure saber se essa massa cresceu ou perdeu o ponto.
Corte como desejar. Pedacinhos, nacos que se encontram vez por outra e se juntam numa forma pequena, que diminui cada vez mais.
A parte importante. Leve para o fogo e queime. O importante é não deixar um pedaço intacto.
Se quiser decorar por cima, com enfeites estúpidos e outros doces sortidos, fica a seu critério.
Tempo de preparo: Pouco mais de um mês.
Rendimento: Um coração despedaçado.
Observação: Cada vez que preparam essa receita, uma parte dos ingredientes originais se perde. Ingredientes esses raros de se encontrar. Essa receita deveria ser consumida com moderação.