Welcome back, Alice!

May 14th, 2012 § Leave a Comment

Era tarde da noite quando vi que ela estava por lá. Veio acanhada, tadinha. Tipo um cachorro de rua mal tratado, molhado, com o rabo no meio das pernas. Aos poucos foi se soltando. Se sentindo em casa. Deitou na cama, finalmente. Na sua cama. Grande e confortável. Grande e vazia. E era disso que ela precisava. A cama só pra ela. O espaço que sempre teve pra si. O espaço que ela não fazia ideia que sentia falta. (eu fiquei no sofá) Na cama, com os braços por baixo da cabeça lembrou-se da goteira. Lembrou também de todas as decisões que teve olhando pra ela – As pessoas precisam de uma zona de conforto pra tomar decisões. A goteira era exatamente o que ela precisava.

Não foi preciso muito tempo pra chegar a uma conclusão, mas foi preciso muito tempo pra decidir que uma conclusão deveria ser tomada.

Olhando agora pras paredes foi fácil lembrar também por tudo que elas tinham passado. Essas paredes tem história. Ainda é possível ver manchas, vestígios/resquícios do que ela já foi. Assim como também vemos nas pessoas o que nunca deixaram na verdade de ser.

Covardes, medrosas, sem rumo. A parede era passado. Os medos e monstros também ficaram pra trás.

Ela encheu o peito de ar. Respirou bem fundo mesmo e disse.

Não posso mais esperar, coelho. Não posso mais me atrasar.

Alice está de volta. Seja bem vinda novamente.

Sem pressa

May 8th, 2012 § Leave a Comment

Eu já não tenho mais a minha exceção. Já não existe mais o, “por você”, e é tão estranho não sentir nada e saber, ou ao menos acreditar que eu deveria senti-lo, por mais escroto e infeliz que fosse esse sentimento. É um vazio. Um buraco novo.
E não adianta cobrir um buraco com terra de um buraco novo. Ou um velho… As vezes acontece.

As feridas deveriam cicatrizar naturalmente. Sem pressa, sem forçar. O tempo não permite. Ou a falta dele. Se é que ele ainda existe.
O fato de não saber ao certo se sou eu quem controlo meu destino ou se é exatamente assim que as coisas deveriam acontecer é tão frustrante quanto o fato de não saber o que fazer. Ou como me sentir.
Não me ensine a viver. Nem do que eu devo gostar. Eu mesma já não sei mais o que fazer e, o fato de ter outras pessoas me direcionando só faz com que eu fique mais perdida.
Eu não sei pra onde quero ir, então qualquer lugar me serve.
Te encontro por aí. Sem pressa…

Categoria nova – Coisas da vida

March 26th, 2012 § 1 Comment

Já faz algum tempo que tive ideia dessa categoria, mas nunca (pra variar) tive tempo/vontade de colocá-la no ar. Eis então o momento ideal. Apresento a vocês as Coisas da Vida.

Coisas da vida é bem simples. É uma frase traduzida do inglês do escritor Kurt Vonnegut e vem do livro Slaughterhouse 5 (Matadouro 5). O livro conta a história do soldado Billy Pilgrim na Segunda Guerra Mundial e suas viagens no tempo. Sim, explicarei meio por cima pra não perder a emoção (caso você se interesse em ler).

Billy Pilgrim é um magrelo meio missionário meio soldado que vai pra guerra e é capturado pelos soldados alemães e levado ao Matadouro 5. Um tipo de campo de concentração de soldados americanos. Durante toda a história, Pilgrim tem essas viagens no tempo que são tanto para o passado quanto para o futuro. Durante o livro, como esperado, pessoas morrem, e quando morrem, Kurt usa a expressão “So it goes” para “explicar” o fato, o acontecimento. Numa tradução bem simples e direta, So it goes significa Merda acontece. E a vida é irônica demais!

An old man turned 98, he won a lottery and died the next day.

Uma outra frase que explica bem o sentido de So it Goes é a seguinte:

Que sera, sera, 

Whatever will be, will be,

The future is not ours to see.

Que sera, sera

Ou seja, basicamente merda acontece e não há como mudar o destino. Ainda posso dizer pra vocês outro escritor que tem a mesma pegada que Kurt Vonnegut: Douglas Adams. Sim, ele mesmo! Se você leu o Guia do Mochileiro das Galáxias e toda a saga deve ter reparado no infinito de coisas bizarras que acontecem com pessoas que fizeram um ato ruim e que logo em seguida tiveram o payback da vida. Algo como o Karma em sua forma mais pura, bonita e imediata.

Bom, sem mais delongas, inicio hoje a primeira categoria oficial do blog. Espero que gostem!!

 

Motorista morre atropelado ao fugir de acidente no ES.

Um motorista morreu atropelado após tentar fugir de um acidente na noite deste domingo (25), no trecho da BR-101 conhecido como Rodovia do Contorno, em Cariacica, na Grande Vitória. Segundo testemunhas, o homem, de 41 anos, atingiu um motociclista e tentou fugir sem prestar socorro.

O acidente aconteceu por volta das 21h. Segundo familiares, a vítima estava em um almoço de família e seguia para casa quando, ao passar pela rodovia, atingiu o motociclista. Populares que estavam próximo ao local ainda tentaram conter o motorista, mas ele correu e acabou sendo atropelado por um veículo, modelo Uno.

Segundo a polícia, o motociclista atingido pela vítima sofreu apenas arranhões, foi socorrido e encaminhado para o Hospital São Lucas, em Vitória.

Fonte: G1

Obs: Eu poderia ainda aproveitar esse post simples com uma história comum pra apontar as diferenças entre Thor e a vítima, mas deixo isso pra vocês…

So it goes…

Coisas da vida, meus amigos…

Caso Thor Batista – Fomos surpreendidos novamente

March 23rd, 2012 § 133 Comments

Como é de conhecimento geral, Thor Batista, 20 anos,  filho do bilionário Eike Batista envolveu-se em um acidente no último sábado, (17). No acidente Thor atropelou e matou um ciclista, Wanderson Pereira dos Santos, 30 anos em sua Mercedes de só 2 milhões de reais (média).

Foi então que começou uma comoção nacional contra ricos metidos com seus carros importados. A princípio o primeiro indício é que Thor estava bêbado, drogado e por isso aconteceu o acidente. Thor então fez o teste do bafômetro, que deu 0,0% de álcool no sangue.

Ok, ele não estava bêbado. Mas sem dúvida alguma não vai ajudar em nada, fugir das responsabilidades que tem, já que é milionário, diziam as pessoas em suas redes sociais e rodas de bar. Errado! Thor prestou todo e qualquer apoio que estava ao alcance dele, inclusive arcando com os custos do velório do ciclista.

Então ele só podia estar acima do limite de velocidade. É um moleque inconsequente, riquinho mimado. Sem dúvida! – Não, não é. A velocidade do carro pode ser “confirmada” pelo simples fato de que os airbags do carro não foram acionados. O que significa que o carro não estava a mais de 100km/h (quando os airbags acionam).

A massa começa a estranhar. Então dizem que Thor, Eike e seus três advogados não deixaram fazer a perícia necessária para comprovar o acidente ou a culpabilidade do “moleque”. Errados novamente. Toda perícia foi feita, o carro não foi alterado ou a perícia teve qualquer tipo de dificuldade com a família em relação a isso.

Então descobrem o motivo do acidente. Na CNH de Thor constavam 52 pontos, esses na grande maioria por multas de limite de velocidade ultrapassado. Uma pessoa pública e cheia da grana com 20 anos sai pra beber acompanhada provavelmente de no mínimo uns 4 seguranças. Nenhum milionário que se preze deixa o destino bater à porta e espera que a vida seja sempre boazinha com eles. (Como se ter dinheiro, viagens, carros e mansões não fosse o suficiente, dizem os mais invejosos). Então se eu sou um desses 4 caras, eu sem dúvida alguma dirigiria o carro como se estivesse num filme do Velozes e Furiosos. Não justifica, mas é óbvio que o carro não era dirigido por apenas uma pessoa.

Datena, mais uma vez faz a festa. Se lambuza na alegria que é culpar alguém. O juiz todo poderoso da nação da classe bitolada brasileira.

Hoje então sai o laudo do exame toxicológico de Wanderson. Foi detectada a concentração de 15,5 dg/L de álcool na vítima. E agora José? Como culparemos Thor? Ou pior, será que podemos culpar o pobre Wanderson por tudo que aconteceu?

Permaneci sem me manifestar sobre o caso até agora por um simples fato: Precisamos de provas para acusar, incriminar alguém. Provas concretas. Aqui mesmo no trabalho, enquanto escrevia o post um amigo parou atrás de mim e disse que o exame foi comprado. Não acredito que tenha sido.

Eu acredito em um mundo que pensa que temos que culpar sempre quem se encontra numa posição melhor que a gente por erros que eles podem (ou não) ter cometido. Tendemos a achar que só porque ele é “um moleque milionário” que ele não tem a mínima consciência de seus atos. Estamos muito errados.

O caso de Thor não é uma verdade universal. É um dos poucos na verdade que vi até hoje em que ele assume toda a responsabilidade de seus atos. Contrário extremo do caso da menininha que foi morta atropelada pelo Jetski. A família do adolescente é de Mogi das Cruzes (minha cidade “querida”), e quando a notícia estava já na “boca do povo”, sem saber o nome dos envolvidos, em Mogi só se falava no nome de uma família específica. Dito e feito. Enfim, só uma consideração a respeito desse outro caso.

Quer dizer, caráter, decência, consciência e responsabilidade não vem de berço ou de bolso. Julgar da poltrona de casa uma imprudência alheia é muito fácil. Querer sacrificar alguém por isso então…

O que fica dessa história toda? Absolutamente nada. Assim que tivermos um próximo caso semelhante, sacrificaremos então o mais forte. Porque é esse o papel dele na sociedade…

Obs: Sou pobre, tenho atualmente 13 reais na minha conta corrente e não acho que isso seja uma Ode à riqueza. Acho que temos que rever nossos conceitos sobre tudo e todos. E pensar pelo menos mil vezes antes de falar. (Queria eu seguir meu próprio conselho mais vezes)

Johnny Cash – O verdadeiro homem de preto

March 22nd, 2012 § 5 Comments

Sempre deixo meus blogs abandonados por meses até decidir voltar a escrever, ou no mínimo ter inspiração pra começar um texto. Eis que hoje, quinta feira, 22 de março de 2012 cheguei no trabalho e bateu aquela vontade de ouvir a discografia inteira do Johnny Cash. Comecei pegando um vídeo dele com a June Carter cantando You Are My Sunshine, e resolvi que seria dele que escreveria. The biggest sinner of all, como ele se intitulava. Esse, é meu centésimo post no meu blog velho e querido. E é com prazer que conto pra vocês um pouco do cara mais foda dos últimos tempos.

John R. Cash nasceu dia 26 de fevereiro de 1932, em Kingsland, Arkansas e era o quarto de sete irmãos. Eles eram de uma família não muito rica, nem muito pobre. Acho que classe média baixa para aquela época se encaixa bem no perfil. E resumindo bastante a vida dele antes da carreira, ele começou a cantar e tocar violão bem cedo. Chegou a cantar na rádio local músicas gospel na época da escola e até gravou um álbum com essas músicas. Em 1950 ele se alistou no exército e foi dispensado (com honras e tudo mais) em 1954, quando ele casou com a primeira mulher, Vivian Liberto.

You told me once, dear, you really loved me
And no one else could come between.
But now you’ve left me and love another,
You have shattered all my dreams.

Com Vivian, Cash teve 4 meninas e por conta do uso abusivo de álcool, drogas e uma safadeza com as mulheres, ele se divorciou em 1966. Nessa ele já era famoso e já conhecia a June Carter, por quem ele sempre demonstrou (muito) interesse. Mas June era dessas difíceis e espertas mulheres que não dão mole pra “qualquer um” e fez o Johnny Cash pastar por 13, repito, TREZE anos na mão dela até de fato, em um show em London, Ontario, no palco, ele pedi-la em casamento e ela finalmente aceitar.

Infelizmente não existe um vídeo desse momento que deve ter sido completamente arrepiante e lindo. Então fiquem com os dois, já casados se apresentando em San Quentin.

We got married in a fever, hotter than a pepper sprout…

Johnny Cash e June Carter então se casaram e viveram felizes durante 35 anos. Tiveram um filho, escreveram e compuseram juntos algumas várias músicas de sucesso até que em 15 de maio de 2003, June Carter faleceu. O último pedido dela foi que Cash continuasse a compor e trabalhar e cantar e nos quatro meses que sucederam a morte de June, Cash escreveu 60 músicas e chegou inclusive a apresentar algumas delas.

Johnny & June

Cash tinha essa paixão de falar sobre a prisão, a “dorzinha no coraxaum”, humor e arrependimento e você consegue sentir isso tudo em um só álbum. Apesar da fama de Bad Boy, briguento e encrenqueiro que ele tinha, ele nunca deu trabalho de verdade ou foi preso por mais de uma noite por pequenas brigas, desentendimentos. No total, ele foi “preso” sete vezes. Cash também disse em várias entrevistas que ele experimentou todas as drogas possíveis e imagináveis.

Bad ass

Na última apresentação do Cash pro público, antes de começar a tocar ele falou sobre a June:

The spirit of June Carter overshadows me tonight with the love she had for me and the love I have for her. We connect somewhere between here and heaven. She came down for a short visit, I guess, from heaven to visit with me tonight to give me courage and inspiration like she always has.

O espírito de June Carter me cobriu essa noite pelo amor que ela tinha por mim e pelo amor que eu tenho por ela. Nós nos conectamos em algum lugar entre aqui e o céu. Ela veio para uma pequena visita, eu acho, do céu para me visitar hoje essa noite e me dar coragem e inspiração, como ela sempre fez.

Em 1997, Johnny foi diagnosticado com uma doença neurodegenerativa, que depois foi alterado pra um quadro de neuropatia associada a diabetes. Em 98 ele foi internado com uma pneumonia severa que acabou por danificar os pulmões dele. Os dois álbuns que ele lançou em 2002 eram mais calmos e “serenos” que o nromal, devido a esse problema. Cash faleceu menos de quatro meses depois que a June tinha falecido por complicações no quadro de diabetes.

Johnny & June

Quer dizer, o cara era o bad boy, rockabilly, rock’nroll, country, usuário pesado de drogas (largou depois), álcool, confusões, e sabia amar e ser amado. Sabia cantar e tocar como ninguém e influenciou um infinito de artistas que ouvimos hoje. A história de Cash é incrível de cabo a rabo e, se você ainda não conhece ou não ouviu pelo menos um álbum dele, não sabe o que está perdendo.

Walk the Line

Pra quem assistiu o filme Walk the Line com Joaquim Phoenix e Reese Witherspoon sabe da emoção que é ouvir e ver o Live at Folsom Prison acontecer. Johnny Cash sempre foi muito brincalhão, sarcástico, engraçado e nas cenas do filme isso se torna muito claro. Eu recomendo assistir não uma, nem duas, mas quantas vezes seu coração aguentar. É lindo demais!

Walk the Line

Discografia

Vai vendo o quão foda Johnny Cash foi durante toda sua vida…

55 álbuns em estúdio

6    live

84 compilados

165 singles

19 vídeos

2   soundtracks

13 singles no primeiro lugar

Deixo vocês então com uma das minhas músicas favoritas dele: Cocaine Blues. Tanto a imagem quanto o som não estão muito bons, mas queria que vocês sentissem um pouquinho da emoção e do arrepio que me dá quando me imagino em 1970, 1980 com ele cantando.

Essa música fala de quando ele foi preso por matar a mulher depois de cheirar cocaína. Ele tenta fugir, chega em Juarez no México e é preso. A desculpa dele por ter matado a “vadia” foi porque ele achava que era o único homem na vida dela, mas ela tinha mais outros 5 “daddies” (papais).

Update: Futuramente postarei algumas curiosidades e outras coisas legais que faltaram dizer sobre Johnny Cash!

Universos Paralelos

February 22nd, 2012 § Leave a Comment

Já te contei sobre a história dos Universos Paralelos? Não? É assim:

 
Dizem que tudo que você deixou de fazer nesse mundo em que vivemos por qualquer motivo que seja, por medo, por pressa, por pura preguiça, acontece num Universo paralelo igualzinho o nosso. Nada extravagante do tipo: No meu UP1 eu estou sentada em uma espreguiçadeira nas Bahamas tomando minha vodka com suco de laranja enquanto espero minha porção de camarões e lagosta Pinchy ficarem prontos. São coisas simples.
 
Aquele oi que você não retribuiu, aquele cartão que você decidiu não deixar na mesa daquele cara que você sabia que estava te olhando enquanto devorava seus waffles com cobertura de morango, aquele beijo que era pra ser o último, nesse Universo paralelo é só mais um. Um beijo com a intensidade de último, mas com amor do primeiro, ou o tesão do terceiro.
 
Tem um UP que começa assim:
 
Alice acorda, olha pro relógio, decide dormir mais dez minutos, acaba dormindo vinte. Levanta apressada, veste seus jeans, sua camiseta branca favorita e seu salto. Quase esquece o colar com a plaquinha retangular que ela tanto adora. Dá “proteção”. Pega as chaves do carro. Um Camaro 69 que consome mais alcool que ela em um dia. Duas portas, confortável e grande o suficiente pra tirar um cochilo na estrada quando dá vontade. Sai voando da garagem do prédio, pega a Avenida no sentido contrário que deveria ir pra cortar caminho. Ela se atrasou, sabe que o trânsito tá “fudido” por aqueles lados. Para antes pra comprar café pra levar pro escritório. Um pra Rafaela, o do Maurício é sem açúcar e pra mim nada de café. Ela sabe que eu não gosto. Resolve trazer uma coca. Na saída, prende o salto na calçada e perde bons dois minutos pra tirá-lo de lá, corre até o carro, estaciona duas ruas antes. Encontrou a vaga mais apertada do mundo pro Camaro dela, paciência, se baterem o seguro paga. Ia subir as escadas, decidiu pegar o elevador que milagrosamente estava vazio. – “É, eu tô atrasada né..” Chega na reunião, toma uma bronca de leve mas é logo perdoada pelos cafés que trouxe. Menina esperta, não dá ponto sem nó. Trabalha, conversa, sente saudades de alguém, recebe uma mensagem. – Vamos jantar fora hoje, você escolhe o restaurante. Te amo. – Vai pra casa, se troca, ele chega, cansado mas com o maior sorriso do mundo estampado no rosto. Ele liga o som, eles cantam e vão jantar. Nada de muito interessante nesse dia em particular.
 
No mundo real dessa história, as coisas são diferentes:
 
Alice acorda, decide que tem que chegar cedo no trabalho, levanta correndo, come uma torrada, veste sua calça jeans, sua camiseta branca que tem uma manchinha do lado esquerdo embaixo. Ela não sabe dessa manchinha. Nem reparou que a camiseta favorita dela estava logo do lado. Esquece o colar de plaquinha da tal da “proteção”. Pega a chave do carro e vai sentido escritório no caminho convencional, chato de sempre. Liga o som. Nada de som baixo, ela precisa acordar, não vai dar tempo de comprar café hoje. O trânsito tá mais ou menos. O celular toca, ela atende. No meio da conversa o celular escapa da orelha, cai no chão. Do outro lado da Avenida, o motorista do caminhão não percebe o carro parado perto da faixa. Descuido da motorista, descuido dele. Não vê que o sinal está amarelo, avança. Ela com pressa, acelera no verde. Eles batem. Alice recebe uma mensagem no celular. – Vamos jantar fora hoje, você escolhe o restaurante. Te amo. – Ela não vai responder. Ele não vai ligar o som e hoje, eles não vão cantar juntos.

Você vai estar no meu coração

February 17th, 2012 § Leave a Comment

Esse é, sem dúvida o texto mais difícil que já escrevi na minha vida. Antes mesmo de começá-lo a escrever ou de pensar no que vou dizer já comecei a chorar.

É sério:

Feia, cara inchada e um amor que não cabe em mim!

Hoje escrevo do meu maior amor nessa vida. Da minha neném, daquela que, sem querer feri ou deixei de cuidar mais vezes do que uma pessoa que diz que ama pode deixar. Hoje esse texto é da Juju!

Juju é a minha irmãzinha caçula. “Irmãzinha”, porque né, 17 anos já. Uma moça, mas um neném aos meus olhos e coração.

Ela era assim!

(pausa pra respirar. tô na agência e, como talvez não tenha tempo pra dizer tudo que sinto, o jeito é escrever. Sempre me expressei melhor assim)

A Juju é meu docinho de côco, minha Jujumint, Jubaluba, gordinha. Tenho vários apelidos pra ela. Uns não tão legais, outros bem maneiros do meu ponto de vista.

A Ju, por mais que eu não tenha percebido, cresceu. Cresceu e vai sair da asa da mamãe e da irmã. Vai aprender a se virar sozinha, vai voar (sem parar, quando eu aprender)

Ficou assim. (Sem influência minha, prfvr!!)

Duck Face no casamento da tia!

Quantas vezes brigamos, quantas vezes nos detestamos por alguns dias, semanas, um mês. E não passou disso. Talvez o orgulho das duas (principalmente o meu) tenha sido maior pra deixar quieto uma briga por uma coisa fútil, mas nenhuma briga com você (JUJUMINT) foi pra te machucar de verdade.

Do rock com o cara do We the Kings!

O meu senso de amor, carinho e proteção às vezes (quase sempre) é bem distorcido, mas é assim que aprendi (sozinha) a cuidar de você. E cantar (sim, eu sei que minha voz é horrível) pra acalmar, ou cantar pra rir.

Um pouquinho de vergonha!

Essa sua partida pra longe dá a impressão de que nunca mais vou te ver. Que você tá indo morar em outro planeta sem conexão com esse mundinho aqui, que não será mais o mesmo sem você!

Toda a minha cagação de regra contra a sua viagem foi só por medo. MUITO MEDO de que qualquer coisa pudesse acontecer com você quando eu não estivesse por perto. Afinal, cuido mal, mas cuido de você.

Juju, do fundo do meu coração transbordando de lágrimas, desejo que você vá! Vai pra longe. Seja muito, muito, muito feliz e busque realizar seus sonhos, objetivos e desejos.

Tô aqui longe, na torcida, te amando mais e mais cada dia que passa. Querendo você pertinho, mas entendendo que você precisa ir!

Te amo zoiudinha. Boa viagem!

 

Ah, e se, por acaso qualquer coisa te impedir por um segundo de ser feliz, lembre-se disso:

 

So long, goodbye!

December 6th, 2011 § 2 Comments

Acordei hoje mais “cedo” do que de costume. Senti um gosto de quarta nessa terça (quarta é o dia que coisas estranhas geralmente acontecem), mas, de fato não acredito que tenha percebido que algo do qual não esperava aconteceria. Ou já tinha acontecido. Vi um RT do Luiz, um amigo da faculdade num tweet do Ale Rocha. Perguntei se ele tinha alguma notícia do quadro do Ale pós transplante e coisa e tal e recebi a resposta de que não sabia de nada no mesmo tempo em que recebi de um amigo a pergunta se eu tava bem por causa do jornalista que faleceu. 

A internet me ajudou a confirmar o que queria muito que não fosse verdade. O Ale foi embora!

E aqui conto pra vocês como conheci o homem da Poltrona…

Entrei no twitter em 2008 e como não tinha muito o que fazer constantemente participava de promoções. Uma delas do Poltrona, sem saber quem era o dono, o que ele fazia nem nada do gênero. Eu queria ganhar um livro legal. E ganhei. Tive uma resposta criativa o suficiente pra chamar a atenção dele. Ele me mandou dm pedindo e-mail e endereço pra enviar o livro. Eis a surpresa. Sou vizinha do Ale Rocha. De rua, mas sou. Desde então passamos a nos tratar por vizinho/vizinha. Ele disse que morava no prédio da rua de baixo e numa brincadeira falei que em pouco tempo descobriria qual era. Afinal, tem só três prédios na rua dele. Descobri. Brinquei inúmeras vezes que ia filar uma boia da mulher dele e brincar de videogame com o filho dele. Inúmeras foram as vezes que, da minha maneira dei força e fé e esperança pra ele, pro estado dele. Um guerreiro. 

Enfim, o tempo passou, continuamos amigos/vizinhos, conversamos, rimos e nos encontramos algumas vezes no rock em Mogi. Na balada que eu trabalhava. Impossível não querer a companhia do Ale num rock. Ele sabia cantar, ele sabia curtir (a medida do que era possível) e soube abrir um sorriso ao descobrir que enfim o Buxixo venderia Heineken. A única preocupação era se ela seria estupidamente gelada.

O tempo passou, encontrei em um site gringo algo sobre doenças crônicas e o que a pessoa havia feito pra “passar” a dor do sofrimento “eterno” de se conviver com uma doença, uma condição ou situação “pra sempre”. Imediatamente enviei pra ele e a resposta de agradecimento pela força nao poderia ser diferente do que eu esperava.

Recentemente descobrimos em casa algumas coisas não tão boas também relacionadas a doenças crônicas e acabei desabafando com ele que me bombardeu de links de sites que poderiam nos ajudar. Com medicamentos, assistência e coisa e tal. (nunca cheguei a ler os sites, mas salvei todos aqui, foi mal Ale) Nossa última conversa foi a que eu queria, exigia a presença dele no meu aniversário para tomarmos um suco. A resposta? “Eu não tô morto não.” (Ele queria uma cerveja, claro!)

Umas duas semanas depois recebemos via twitter a notícia de que ele finalmente havia conseguido o transplante. “Hoje é dia de rock, bebê!” foi o último tweet dele…

A dor no coração que sinto (que sentimos, os amigos, os followers, admiradores) não chega nem chegará perto das dores que você sentia e que nós achávamos que sentíamos também quando nada podia ser feito. Seu dia chegou, você não foi sem conseguir o que esperava, o que precisava.

O desfecho dessa novela pode não ter sido o mais feliz, o que a audiência esperava do autor de lá de cima. A crítica no momento rebate com fúria tudo o que aconteceu. Talvez mais tristeza do que fúria. Mas um pouquinho de raiva sim. Queríamos você por aqui. Queríamos poder decidir com você o final dessa novela. Outros capítulos surgirão na vida dos protagonistas da família Rocha. Nós, espectadores distantes estaremos sempre aqui. Torcendo, vibrando e lutando pela felicidade deles. Desejo a família do Ale toda força que esse mundo possa dar a vocês. Desejo ao Ale muita paz (que agora, por mais que cedo demais ele tenha conseguido)

 

Hoje é dia de rock, de grunge, de Heineken e do Ale, bebê!

Ao som de Pearl Jam, pra você vizinho!

Aos meus não namorados.

September 26th, 2011 § 1 Comment

Eu sinto muito meu bem. Sinto (no sentido do perdão) por querer saber demais. E por sempre descobrir demais. Sinto (no sentido de desculpas) por me envolver. No sentido de desculpas, afinal, a culpa disso tudo não é (só) minha.

Eu também sinto por sentir. Por não saber conter, por não saber ser menos. Sinto muito (muito mesmo)

Sinto também que não sentimos o mesmo. Sinto que, a cada ida você muda um pouquinho. Sinto que a cada volta você sente menos. Sinto que nossas liberdades são diferentes e nos apoiar a elas seria como confiar no desconfiável.

E desconfio que sinto que vai ser sempre assim.

Eu sinto muito meu bem, mas seria melhor se não tivessemos sentido nada…

Receita de corações queimados.

September 14th, 2011 § Leave a Comment

Metade de mim é decepção. A outra metade é vazia. Nessa outra metade adicione dor, raiva, uma pitada de um desespero maluco e muito, muito do que já vivi antes. Jogue tudo num processador. Processe.

Tempere com desejos não realizados, com expectativas estraçalhadas (que não deveriam existir nessa época do ano. Não é tempo de colher expectativa), aquela catarse que dá o toque especial. É o que se sente primeiro ao experimentar.

A segunda parte é simples. Amasse, sove, machuque. Desconte sua raiva. Deixe descansar. Não dê sinal de vida, não procure saber se essa massa cresceu ou perdeu o ponto.

Corte como desejar. Pedacinhos, nacos que se encontram vez por outra e se juntam numa forma pequena, que diminui cada vez mais.

A parte importante. Leve para o fogo e queime. O importante é não deixar um pedaço intacto.

Se quiser decorar por cima, com enfeites estúpidos e outros doces sortidos, fica a seu critério.

Tempo de preparo: Pouco mais de um mês.

Rendimento: Um coração despedaçado.

Observação: Cada vez que preparam essa receita, uma parte dos ingredientes originais se perde. Ingredientes esses raros de se encontrar. Essa receita deveria ser consumida com moderação.

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