Mulheres Maravilhosas 1 – Gwen D’Arcy

Pensando sempre em maneiras novas de ressuscitar meu gosto por escrever e por compartilhar coisas com outras pessoas, venho mais uma vez invocar o Are You In? para tentar uma nova série.

Com o intuito de mostrar que existem mulheres maravilhosas em diversas áreas, setores e segmentos do mundo, a série Mulheres Maravilhosas vai mostrar periodicamente – o que significa: quando eu me lembrar de postar – mulheres incríveis sendo incríveis e fazendo coisas incríveis. Não é muito difícil de entender, não é mesmo?😉

E para começar abrindo com chave de ouro eu gostaria de apresentar vocês à Gwen D’Arcy. Uma artista canadense que mora em Vancouver que aprendeu sozinha a arte de desenhar e pintar. Tem como não amar uma pessoa autodidata?

E aí você pensa que chega né? Chega não. Ela além de tudo é uma Suicide Girl gatíssima. Não tinha como ficar melhor.

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Nas redes sociais ela é conhecida como Graphic Artery e é possível comprar as obras dela aqui no Store Envy, acompanhar o Instagram dos trampos que ela faz aqui, ou o lado mais kinky aqui.

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Porque eu amo cozinhar

Eu não lembro que idade tinha quando resolvi me meter na cozinha pela primeira vez, mas lembro com clareza, como se pudesse me ver de outro plano, como nas novelas, quando um personagem lembra de uma cena. Ele se lembra dessa cena do ângulo da câmera, e nunca do seu próprio ponto de vista. Então, eu consigo lembrar com clareza o momento em que a colher de pau que eu tinha deixado descansar no cabo da frigideira cheia de açúcar derretento encontrou com a minha mão desajeitada e girou, como uma malabarista do melhor circo da cidade (como se na minha cidade tivesse muitos circos) e pousou com delicadeza e firmeza sobre meu joelho esquerdo. Num reflexo muito rápido minha única reação foi puxar a colher e ver os picos de açúcar já duros formados na minha perna. Tão lindo e tão doloroso. Lembro também de pegar aquele pano úmido meio velho e provavelmente sujo que fica na borda da pia e apertar contra minha perna enquanto eu gritava desesperada pra minha mãe vir me socorrer.

Que conste nos autos que fui avisada pela madre superiora que eu não deveria fazer açúcar derretido sozinha, que ela logo faria, assim que acabasse o filme que ela estava assistindo. Minha pressa pra viver sempre foi grande demais. A de doce também.

Essa primeira experiência deveria ter sido o suficiente pra me afastar da cozinha, mas anos depois, tendo uma mãe e uma avó excelentes cozinheiras fica difícil se manter longe de lá. Eu posso lembrar com riqueza de detalhes quantas vezes passamos finais de semana e até madrugadas ajudando na produção de bolos, pães, tortas e sobremesas para ajudar na renda da casa. Ou então festas de fim de ano e aniversários. Minha mãe sempre foi a responsável pelos bolos. De todos os vinte e poucos membros da família.

Se eu contar pra um psicólogo ele vai dizer que aí tem coisa, mas nesses momentos eu me lembro de toda a família reunida, da algazarra, dos gritos desesperados e das ordens da comandante Sandra que só queria que tudo fosse feito logo e da melhor maneira e que não faltasse nada pra gente. Papai tentava ajudar, mas a especialidade dele sempre foi sucrilhos com umas cinco colheres de açúcar, leite e um minuto e meio no microondas.

Me lembro de ir pra casa da minha tia que tinha uma coleção incrível de livros e enciclopédias e alguns livros de culinária e meu sonho sempre foi fazer um bolo xadrez.

O do livro era mais bonito que esse do Google

Então, com tanta influência boa, decidi voltar a me arriscar na cozinha, agora com 12 anos, pro aniversário de casamento de 13 anos dos meus pais. Fiz um prato único, incrível e espetacular: macarrão pene com caldo de feijão e milho em conservas.

Meus pais, em seu instinto mais do que imediato de salvar a cria da desgraça total disseram que o prato estava maravilhoso. Só descobri, claro, anos depois que se eles pudessem eles nunca teriam comido, porque né, macarrão, feijão e milho. Sem “tompero”.

Esse momento na verdade foi crucial na minha vida, porque se eu tivesse ouvido deles que aquele era o pior prato da vida deles, talvez hoje eu não teria tanto amor e paixão pelo que faço e faça (ou ao menos ache que faça) bem.

A partir desse prato cada vez que via alguém cozinhando perguntava algo, ou então revirava os velhos livros em casa, tentava receitas de microondas e fazia o verdadeiro caos na cozinha de casa, que cabe facilmente 5 pessoas trabalhando juntas e quase que em harmonia. E com isso fui aprendendo, aprimorando e até mesmo criando minhas próprias receitas, baseada em coisas que acredito que combinem (menos feijão e milho com macarrão) mas o principal desse texto não é me vangloriar das minhas habilidades culinárias. É dizer que eu faço isso com paixão e por paixão. Que nem sempre posso acertar, afinal, o que sou eu, se não mais que uma copycat de receitas alheias sem treinamento algum e que até hoje tem dificuldade de cortar cebola em fatias fininhas? Bom, elas saem, mas geralmente estrago uma cebola antes de achar o corte certo, não importa quantas cebolas eu corte na vida.

Marina recheando as batatinhas no melhor estilo Pinterest

Cozinhar pra mim é juntar os amigos e queimar os dedos, fazer um cortezinho ocasional e no final olhar na cara de cada um e ver um sorriso, reparar naquele hmmm que eles soltam quando comeram algo que foi uma explosão de sabores na boca deles.

Eu não entro na cozinha de mal humor. E só reparei isso no ano passado, depois de meses sem fazer um prato, sem ter vontade de pegar uma carne na mão e flambá-la no Jack, ou então fazer aquele purê cheio de queijo, ou uma parmegiana com molho feito em casa, hmm, molho feito em casa. Fiz esses dias, queria fazer mais. Uma panela dessas de merenda escolar, todinha de molho de tomate.

Cozinhar, pra mim é dar o meu melhor e pensar em cada detalhe e curtir cada momento que eu fico esquentando a barriga, abrindo uma massa, ralando queijos ou engrossando molhos e se um dia eu já cozinhei pra você, saiba que fiz isso com o maior orgulho e vontade e eu espero que você não me decepcione.

Saudades mansão. Saudades pratos maravilhosos. Saudades amigos.

Se algum dia eu já te chamei pra cozinhar ou comer algo e por algum motivo na vida isso ainda não aconteceu, tá esperando o que pra gente juntar esse amor e jogar conversa fora com bons drinks?

Vende-se projetor de ilusões

Minha vida é uma eterna repetição de sentimentos. Um ciclo sem fim de aprendizados fracassados.

Eu não sei quando foi que isso começou, ou como foi que começou, mas algo deu início a esse vício que eu tenho de esperar, de querer, de imaginar. De projetar.

Projeções são uma merda. Projeções, no meu caso, são quase utópicas. Eu imprimo numa tela tudo que pintei com meus lápis imaginários e espalho essa ideologia pelas ruas. Distribuição em massa de sonhos.

Daí quando pegam isso e colocam em uma tela, ou então apontada pra parede, onde só se vê sombras, a gente descobre que nada é exatamente como o esperado. Que as projeções, outrora tão reais não passam de uma imaginação muito fértil. Mas isso não me impede de pegar outra folha transparente e começar todos os rabiscos de novo.

Eu projeto porque desejo. Eu desejo porque é maravilhoso. Mas será que é mesmo? Pode ser, mas não é só com você.

E é isso, eu espero.

Não, não tô aqui pra dizer que espero algo de alguém. Não é isso. Mas eu esperava mais de mim.

Eu me cobro por não ser o que você quer. Me cobro sem ter culpa, afinal eu fiz tudo que podia. Na verdade eu fiz tudo que queria. Com tanto gosto que mesmo depois de tanto tempo ele ainda continua. Pra perturbar. Pra incomodar mesmo.

Logo eu, cheia de manias e compulsões… Logo eu, cheia de nãos e nem pensar… Logo eu…

Eu. Que não queria nada. Que jurava que não esperava nada. Que caiu de boca, de corpo, de alma e cabelos embaraçados.

E nessa bagunça toda, debaixo de lençóis e travesseiros, depois de tudo, na verdade, a gente descobre que não é bem assim. Que existem outras 700 possibilidades.

Eu esperava tanto ser algo que não significa nada que hoje eu sou só isso mesmo.

Nunca acredite em quem diz que tem coração

Nunca acredite em quem diz que tem coração

Volta pra mim?

Eu não passo mais tanto tempo largada na cama.

Eu não passo porque sozinha não tem graça.

A cama vazia dá saudade. A cama vazia dá vontade. Elas se misturam. Elas me enganam.

Eu também já não passo mais tanto tempo procurando outras diversões. Elas não me divertem.

É como se tudo fosse o oposto do que eu realmente queria que fosse. É como se nada mais fizesse sentido.

Eu ainda posso me lembrar de quando prometi, não muito tempo atrás, pra mim mesma, que não me deixaria iludir novamente. Que não teria tempo, cabeça ou coragem pra isso.

Porque é preciso coragem pra se apaixonar. Coragem pra remendar todas as partes de um coração destruído e entregar pra outro ser humano segurar. É se expor, de um jeito que nenhum nude que você manda, te expõe.

Quando a gente acaba se machucando demais, a gente acaba se proibindo de sentir o que já foi sentido uma vez, com medo de que tudo, hora ou outra, eventualmente, vá pelos ares.

Mas eu me deixo levar. Deixo me levar porque é bom. Deixo que você me leve e me pese, e me use. E eu te uso. E a gente se abusa. E é tudo tão bom, sempre, que nem parece que semana que vem tudo volta ao normal e você quase não se lembra de nada do que eu disse. Acho que são muitas histórias paralelas pra acompanhar.

E pensar que me prometi. De pés juntos e cabeça erguida, com a certeza matemática, de que não me deixaria cair nessa mesma armadilha de novo. Mas eu tô aqui, sem armadura, sem defesa, escrevendo como você me dá vontade. Como sua ausência dá saudade. Como eu tenho medo de não ser bem assim e como eu não sei mais lidar com isso.

Então eu queria que você me dissesse, mesmo que nunca leia esse texto. Eu queria saber o que é que você sente. Se dá frio na barriga, se dá aquela falta de ar e aquele risinho de canto de boca que diz: olha, tem mensagem. Aquela sensação angustiante e deliciosa de: tá chegando. Tem mais. Tem muito mais. Aquela vontade de perguntar, de coração aberto e palavras cheias de suor e respiração atrapalhada: também é tão bom assim pra você, como é pra mim? Elas fazem melhor? Elas são mais legais? Elas são mais atraentes?

É mais provável que tudo não passe de mais uma apaixonada aventura, mas tudo bem se for assim também. Acho que posso conviver com isso, enquanto procuro de novo peças, pedaços, vasos e artérias, tudo aquilo que demorei meses pra colar de volta num lugar e te presentear. Você não vai ficar, eu sei disso. Mas dessa vez minha promessa fica. E meu coração também.

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Vontade que dá…

Então eu acordo. E com isso acorda também aquela vontade. Isso. Aquela vontade.

Eu acordo querendo ser acordada. Com uma passada de mão gostosa, com uma fungada no cangote dessas que bagunça a barba, o cabelo, a cabeça…

Eu tenho vontade. De sair de casa tarde. De demorar mais uns 15 minutos só pra desembaraçar o cabelo.

Tenho vontade de nem sair. Mas precisa. Essa vontade dá, mas não passa.

E daí dá vontade de falar putaria. De ouvir putaria. De trocar putaria. Dá vontade de brincar.

E nessas brincadeiras, entre mãos, braços e abraços a gente se pega, se beija, se puxa, se baba. E morre de sede. E mata todas as vontades.

Tem vontade que dá e passa. Tem vontade que só passa quando dá.

E eu aqui, tendo vontade, vivendo de vontade, morrendo de vontade.

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Universos Paralelos

Já te contei sobre a história dos Universos Paralelos? Não? É assim:

Dizem que tudo que você deixou de fazer nesse mundo em que vivemos por qualquer motivo que seja, por medo, por pressa, por pura preguiça, acontece num Universo paralelo igualzinho o nosso. Nada extravagante do tipo: No meu UP1 eu estou sentada em uma espreguiçadeira nas Bahamas tomando minha vodka com suco de laranja enquanto espero minha porção de camarões e lagosta Pinchy ficarem prontos. São coisas simples.
Aquele oi que você não retribuiu, aquele cartão que você decidiu não deixar na mesa daquele cara que você sabia que estava te olhando enquanto devorava seus waffles com cobertura de morango, aquele beijo que era pra ser o último, nesse Universo paralelo é só mais um. Um beijo com a intensidade de último, mas com amor do primeiro, ou o tesão do terceiro.
Tem um UP que começa assim:
Alice acorda, olha pro relógio, decide dormir mais dez minutos, acaba dormindo vinte. Levanta apressada, veste seus jeans, sua camiseta branca favorita e seu salto. Quase esquece o colar com a plaquinha retangular que ela tanto adora. Dá “proteção”. Pega as chaves do carro. Um Camaro 69 que consome mais alcool que ela em um dia. Duas portas, confortável e grande o suficiente pra tirar um cochilo na estrada quando dá vontade. Sai voando da garagem do prédio, pega a Avenida no sentido contrário que deveria ir pra cortar caminho. Ela se atrasou, sabe que o trânsito tá “fudido” por aqueles lados. Para antes pra comprar café pra levar pro escritório. Um pra Rafaela, o do Maurício é sem açúcar e pra mim nada de café. Ela sabe que eu não gosto. Resolve trazer uma coca. Na saída, prende o salto na calçada e perde bons dois minutos pra tirá-lo de lá, corre até o carro, estaciona duas ruas antes. Encontrou a vaga mais apertada do mundo pro Camaro dela, paciência, se baterem o seguro paga. Ia subir as escadas, decidiu pegar o elevador que milagrosamente estava vazio. – “É, eu tô atrasada né..” Chega na reunião, toma uma bronca de leve mas é logo perdoada pelos cafés que trouxe. Menina esperta, não dá ponto sem nó. Trabalha, conversa, sente saudades de alguém, recebe uma mensagem. – Vamos jantar fora hoje, você escolhe o restaurante. Te amo. – Vai pra casa, se troca, ele chega, cansado mas com o maior sorriso do mundo estampado no rosto. Ele liga o som, eles cantam e vão jantar. Nada de muito interessante nesse dia em particular.
No mundo real dessa história, as coisas são diferentes:
Alice acorda, decide que tem que chegar cedo no trabalho, levanta correndo, come uma torrada, veste sua calça jeans, sua camiseta branca que tem uma manchinha do lado esquerdo embaixo. Ela não sabe dessa manchinha. Nem reparou que a camiseta favorita dela estava logo do lado. Esquece o colar de plaquinha da tal da “proteção”. Pega a chave do carro e vai sentido escritório no caminho convencional, chato de sempre. Liga o som. Nada de som baixo, ela precisa acordar, não vai dar tempo de comprar café hoje. O trânsito tá mais ou menos. O celular toca, ela atende. No meio da conversa o celular escapa da orelha, cai no chão. Do outro lado da Avenida, o motorista do caminhão não percebe o carro parado perto da faixa. Descuido da motorista, descuido dele. Não vê que o sinal está amarelo, avança. Ela com pressa, acelera no verde. Eles batem. Alice recebe uma mensagem no celular. – Vamos jantar fora hoje, você escolhe o restaurante. Te amo. – Ela não vai responder. Ele não vai ligar o som e hoje, eles não vão cantar juntos.

Master Chef Relationships

Eu um dia acreditei que sabia de tudo sobre o amor e relacionamentos.

Achava que entendia de amores platônicos, não correspondidos, mal correspondidos e até aqueles em que quem não corresponde sou eu. Eu também achava que já tinha amado e sido amada reciprocamente, mas o fato de eu achar que sei de tudo sobre algo não faz de fato com que eu saiba de tudo sobre algo. Ou então que o que eu ache que eu sei seja uma verdade ou padrão.

Então nessa onda de me sentir chef em relacionamentos eu vivi minha vida. E um dia me encontrei. E foi nesse dia que me perdi.

A vida tinha me dado uma oportunidade de escolher pratos maravilhosos, sensações únicas e aromas inigualáveis. Todos eles saídos da minha cozinha. A mistura dos temperos, o sabor que tudo tinha. Tão gostoso. Tão apimentado. Tão bem disposto num prato importado. Foi quando, do nada, (ou talvez não tão do nada assim) as coisas começaram a mudar.

Como um chef que, sem querer desanda a massa e não consegue mais acertar a mão, tudo que eu sentia foi desandando. Como num bolo cheio de chantilly num dia quente de verão. Nada mais era certo e toda medida parecia errada. A pressa deixava tudo cru e a falta de atenção tudo queimado.

E assim eu tinha perdido toda receita do bolo. Desde a massa até a cobertura. O recheio? Esquece. Faltou o principal ingrediente pra dar a liga.

Quando um chef perde a inspiração, ele perde parte da vontade de viver. Quando seu maior prazer é agradar alguém e esse prazer é tirado de você, seja pelo destino, seja pela incompetência, seja pelo caralho, é muito difícil voltar a sentir aquele desejo de picar, cortar e sentir o aroma, ver a fumacinha que os pratos quentes soltam. Aos poucos as coisas perdem o sabor. Aos poucos tudo se torna amargo, sem sal, sem açúcar, sem tempero.

Eu achava que como chef já tinha queimado demais meus dedos em panelas. E achava que como um ser humano que (diz que) sente, já tinha calejado esse coração cansado.

Então eles dizem: parece que o jogo virou, não é mesmo?

Parece que sim.

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