A última vez

Eu lembro de quando eu era criança, e como eu não parava quieta naquela época, subia em árvores, escalava muros, quebrava coisas, e sempre depois disso vinha uma bronca, e eu sempre prometia a quem quer que tenha me dado bronca, pai, mãe, vó, tio, tia, menos o vô, (porque era ele que me encorajava subir nas árvores do sítio que a gente tinha, dava comida pros animais e conseguia até mesmo acender a churrasqueira sem precisar de alcool) que eu não faria aquilo de novo. Que seria a última vez… Muito tempo passou desde que todas essas coisas aconteciam, se não diariamente, semanalmente… O tempo passou mas eu continuo a mesma. Com vinte anos ainda caio, escorrego, quebro, mancho, derrubo. Eu sempre fui muito estabanada, e nunca tentei fazer nada pra mudar. Não me imagino com uma Barsa na cabeça, equilibrando e tomando chá de qualquer erva com gosto de nada. Eu gosto de chá de frutas, de maracujá, o que não significa nada porque nunca conseguiu me acalmar… Eu sinto saudades do tempo do sítio e dos peixinhos, das pescas, da família reunida e das fotos onde todo mundo tinha cabelão de Farah Fawcet. Eu quero entender…

Eu só quero tentar entender…

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