2009/2010

Fim de ano. Aquela correria de sempre. A compra de presentes pro Natal, a escolha da casa perfeita, na praia ou na cidade pra passar o ano novo. A retrospectiva de como foi esse ano e o que você fez de bom pra você e para os outros. As conquistas, as derrotas. Todo aquele clichê de chamada da Globo com a música “Todos nossos sonhos serão verdade, o futuro já começou“. As lembranças.. Elas são as que ficam e não passam disso. Lembranças.

Nessa de recordar, lembrei da conversa que tive com algumas amigas tomando uma cerveja em casa no começo desse ano. A disputa pra ver quem teve o pior Reveillon. E, incontestávelmente eu ganhei. Minha virada superou o quase coma alcoólico de uma, a Av. Paulista de outra e um outro Ano Novo do qual não me lembro. Não teve alegria, não teve alívio na troca de ano. Foi só um dia pro outro com uma ceia diferente.

Depois dessa frustração eu prometi que passaria meus dias felizes, independente de quem estivesse comigo. Eu culpo bastante uma outra pessoa pelo meu 2008/2009 frustrado. E espero que essa pessoa se sinta culpada por isso.

Sem contar que eu realmente acreditei naquela superstição idiota de que, se você começa o primeiro dia do ano de um jeito, vai passar o resto do ano assim. Mas que fique claro que só tive certeza disso hoje. Pode ser que eu esteja jogando a culpa dessa vez em muito mais pessoas do que uma só mas eu não fiz quase nada de bom esse ano.

Claro, tive meus amigos do meu lado o tempo inteiro e no segundo semestre eu encontrei A pessoa que eu queria pra mim. Aquela que eu nunca mais imaginei que fosse encontrar, que pudesse me fazer feliz. Eu a encontrei e eu a tive comigo durante todo esse tempo. Mas 2009 não foi mais que isso pra mim. Bons amigos e o homem da minha vida.

E apesar disso tudo, vejo que vou mais uma vez passar esse reveillon sozinha. Recebi propostas de viagens mas o que eu realmente queria fazer, até esse exato momento que escrevo esse texto, não poderei. Esse ano tem sido frustração atrás de frustração pra mim. Com coisas pequenas, grandes e comigo mesma. Coisas que deixei de fazer, coisas que fiz. As mudanças que decidi que tinham que acontecer. Parece que foi tudo em vão. Parece que foi um ano em que vivi no piloto automático e ele estava programado apenas pra responder se perguntarem.

Eu não quero essa vida pra mim. Eu quero me livrar de tudo que me fez mal, quero me livrar de todas as paranóias que eu tenho e me tornar uma pessoa normal. Porque eu sei que no exato momento eu não pareço muito uma pessoa assim. Eu não quero perder quem está hoje (ainda) presente na minha vida. Não quero deixar de viver os bons momentos que vivi. Não quero que eles sejam só lembrança do passado e sim um acontecimento do presente e uma vontade do futuro.

Apesar de tentar jogar a culpa nos outros eu sei o quanto eu errei e fui negligente comigo mesma. Mas também sei o quanto me esforcei para mudar uma situação e tentar torná-la melhor.

E o que eu tenho pra fazer agora? Esperar. Mas somente esperar porque, depois de toda essa análise e reflexão, cheguei a conclusão de que ter esperança é o mesmo que ser o único no meio de um monte de gente que sabe o final da novela e achar que as coisas vão ser diferentes. E porque não também estar ciente desse final e achar que dessa vez (mais uma vez) vai ser diferente?

Eu sei o que eu quero e sei do que sou capaz pra conseguir. Mas sei também que não posso suportar mudanças só de um lado. Eu sei o que está prestes a acontecer comigo e sei que não chega nem perto do que eu quero. Eu não tenho mais esperança de que isso mude. Esperança não me serve em nada e é mais uma palavra/sentimento/ação riscada do meu vocabulário.

Eu desejo a (quase) todos um ÓTIMO 2010. Porque se depender de mim hoje, eu vou fazer o possível para o meu também ser.

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Liberdade

Eu não sei se isso tende a acontecer com todo mundo, mas sei que acontece comigo. As vezes tenho vontade de largar tudo, esquecer das poucas obrigações que tenho, deixar pra lá as pessoas que tenho que dar explicações e simplesmente sair por aí. Montar uma mochila: Três calças, dois shorts, algumas blusinhas, duas blusas de frio, uma pesada e outra mais levinha. Um óculos de sol, uma canga e uns três biquinis. Sair por aí mesmo. Sem pressa pra voltar. Alguns produtos de higiene seriam necessários. Fico pensando no sol da estrada que vai me levar pra lugar algum, no vento que vai bater no rosto e aquela sensação de “into the wild” que eu vou ter dentro de mim. A oportunidade de me desprender de telefones, computadores, tvs, microondas, geladeiras, gps. Eu posso fazer isso. Sei que posso. Sei que ao menos deveria. Há tempos penso em algo assim, em sumir e não dar explicação, de atualizar o paradeiro via lan house de beira de estrada, de ligar pra mãe só pra dizer que vi um passarinho lindo que me lembrou dela. Eu tenho medo. Um medo sem tamanho de sair da zona de conforto. E uma raiva de não conseguir sequer tirar do papel uma idéia tão bonita e tão gostosa.

Eu sou presa a muitas coisas. Sou presa a pessoas que nunca dependeram de mim. E nunca vão depender. Se um dia quiserem ir, elas vão. Não vão pensar no sofrimento que eu vou ter ou na falta que vão fazer. Me dói saber que prestes a fazer 22 eu sou só mais uma num mundo de um monte de gente que sequer nota a minha presença. Eu gostaria de poder fazer mais. Gostaria de ser mais. Não consigo. Sou fraca.