Teorema de Sanseverini

O negócio é o seguinte. Cheguei a conclusão de que posso prever meus futuros relacionamentos e quanto tempo eles podem durar através de matemática. Que eu não sou boa em contas acho que isso é bem óbvio né? Mas lembrando do pouco que consegui reter na cabeça de mosquito que tenho, cheguei ao que apresento a vocês como Teorema de Sanseverini. (tã tã tããããã! musiquinha de mistério solucionado)

Vou explicar pra vocês como cheguei a um resultado mais concreto: Meu primeiro beijo foi aos 12 anos e não me lembro quando foi o primeiro namoro mas sei que os meus primeiros 5 namoros depois do primeiro beijo (em 8 anos) não passaram de um mês. (Ok, nem dá pra chamar de namoro, mas o teorema vai explicar)

Esses “namoros” ocorreram de 2000 a 2006. Tive 2 anos de solteirice pura, depois em 2008 tive meu primeiro relacionamento mais sério que durou 6 meses. Terminamos em janeiro de 2009 e fiquei novamente 6 meses solteira. Comecei a namorar e dessa vez o namoro durou 5 meses e também terminou em janeiro (2010 no caso)

Então. 8 anos até o relacionamento sério e 6 meses de relacionamento chego a seguinte conclusão juntanto p.a. e p.g.

22anos  –   30anos     – 38anos (p.a.)

6meses  –  36 meses – 216 meses (p.g.)

Logo, enquanto minha idade aumenta aritmeticamente, as chances de eu passar mais tempo com um ser humano que vai me fuder (e não é no bom sentido) crescem geometricamente.

Ou seja, ou eu fico sozinha pro resto da vida, ou acredito nesse meu teorema e me fodo acompanhada…

A tal da sintonia

Desde criança fui acostumada com a idéia de que todos devemos procurar o amor perfeito. O amor pra vida toda. Filmes, novelas, livros, contos infantis. Todos buscavam a pessoa com a qual dividiriam um potinho com suas respectivas escovas de dente. Aquele príncipe encantado no cavalo branco que, no final da história me salvaria da vida triste de gata borralheira e me levaria para morar num castelo longe e assim viveríamos felizes para sempre. Tudo fictício. Os contos acabavam no final feliz. Ninguém tinha coragem de fazer a continuação dessas belas histórias de amor. Ele se cansa dela, ela sai com o cara gato da academia e ele consegue traçar a melhor amiga dela enquanto ela acha que ele joga tênis no clube. A realidade é muito mais cruel que qualquer sofrimento de conto de fadas. Lavar o chão com uma escova é fichinha perto do que passamos todos os dias. Desconfiança, falta de motivação, tédio, rotina. De todos os relacionamentos que tive, garanto que nenhum teve sucesso. (óbvio não?) Mas depois de uma análise detalhada percebi que nunca me relacionei com alguém que fosse como eu. Que gostasse das mesmas coisas que gosto ou que no mínimo respeitasse as diferenças de cada um. Respeito. É isso que dizem quando pensam em um relacionamento bem sucedido. É preciso ter respeito com você e com o outro para ser feliz, certo? Não. É preciso ter sintonia.

Sintonia e sincronicidade. Consigo contar nos dedos de uma mão casais que são assim. Todos tem seus problemas, suas desavenças vez por outra, mas um completa o outro e aceita o outro exatamente da maneira que é. Claro, existem suas raras exceções em que, certas coisas que um gosta de fazer possa prejudicar não só a ele mas como o outro, mas essa é outra história.

Ter algumas coisas em comum não é suficiente pra garantir o sucesso no relacionamento. É além disso e quase inexplicável. Quantas vezes nos deparamos com pessoas que gostam do mesmo que a gente mas simplesmente, “não bate”. Essas pessoas, no futuro acabam se tornando nossos amigos ou apenas mais um coadjuvante nessa novela (ridícula) que é a vida. Manoel Carlos se orgulha disso, certeza.

Conversando com a J. ontem, discutíamos o quanto o irmão dela e a namorada se davam bem. A forma perfeita que duas peças do quebra cabeça se encaixavam e davam forma a uma figura incrível que é a sintonia. E eu não digo que significa terminar a frase do outro ou saber no olhar o que ele sente. É além disso. Conheço outro casal que é assim e se completa há quatro anos. Por muitas vezes a inveja (branca) bate e me pergunto se algum dia vou conseguir achar esse tal de amor “pra vida toda”. Se os planos que, uma hora foram infantis como casar e ter filhos um dia se concretizarão. Ou que o futuro não tenha guardado pra mim esse destino, mas que tenha guardado o “amor maior”.

Dizem que não se morre de amor. Conheço um caso que prova o contrário. Os avós do cara de um desses casais citados acima viveram felizes por sabe-se lá quantos anos. Ela faleceu. Dois meses depois, com a saúde uma hora impecável, o avô, sem mais nem menos foi parar no hospital. Sentia saudades da “velha dele”. Poucas semanas depois não aguentou. Esperou o resultado do jogo do São Paulo sair (campeão) e foi atrás da mulher da vida dele.

Eu espero que ninguém venha me dizer nos comentários que ele morreu porque era simplesmente velho. Não é isso. A saúde dele era melhor que a sua, que a minha, que o idiota que tá sentado atrás de você que corre duas vezes por semana e não come proteínas e carboidratos depois das seis. Esse caso foi de amor. Amor que nem eu, nem você temos. Não por sermos amargas ou não sermos boas o suficiente pra alguém. Mas por não termos encontrado a tal da sintonia.

E que fique claro: A sintonia não é um cara alto, forte e rico. É um cara engraçado, bonito na mesma quantidade de beleza que a minha (aham Claudia. Senta lá). É o cara que não vai achar defeitos em tudo que eu faço, que vai jogar videogame comigo, me levar ao cinema, ouvir as minhas músicas sem reclamar e ouvir as músicas dele com a minha cara feia de fundo. Esse cara vai saber aguentar o ciuminho das amigas da faculdade e acima de tudo, vai saber demonstrar como um idiota (apaixonado) o que sente por mim.

Não adianta você dizer que não tem vontade de sentir isso. Você sabe que passou a vida inteira procurando alguém que gostasse de você do jeito que você é. Foram poucos que entenderam, muitos que desistiram ou nem tentaram. Se você me diz que isso não existe, eu finjo que não ouço. Se você diz que é melhor não esperar, eu puxo minha cadeira, acendo um cigarro, jogo um tetris e te espero.