Alarm clocks kill dreams

Eu gostaria de ter mais que só meia dúzia de palavras pra explicar muita coisa nessa vida, mas a verdade é que não consigo me explicar com meia dúzia de palavras. Nessas minhas auto-análises (tudo bobeira, na verdade), conversando com amigos, me defini como alguém sem planos. Alguém que deixa a vida realmente me levar.

Lembro de quando eu era criança e de como toda criança tinha um sonho. Ser bombeiro, policial, trabalhar na Nasa, modelo, atriz, médica… Eu nunca quis ser nada. Nunca sonhei com uma profissão ideal, uma razão pra salvar o mundo das mazelas que o ser humano mesmo cria e – desculpem o termo – fode com tudo.

Eu sonhava com aquele amor de novela, de filme. Aquele amor que é sofrido no começo, uma busca no meio e toda a felicidade que o mundo, naquele momento poderia oferecer. Sempre achei que fosse casar, ter filhos e um golden retriever de comercial de Vanish Poder O2 arrastando uma mantinha pela casa. E cá estou eu, conformada por não ter seguido esse rumo.

Se existe um único caminho pra se seguir quando você começa a “existir” nesse mundo, meu caminho foi completamente diferente do que eu sonhava lá pelos meus sete anos. Não digo que tenha sido um caminho ruim. Foi um caminho que me fortaleceu (pelo menos um pouco) me fez ver as coisas de outra maneira e me fez o que sou hoje. Eu posso não ser (e sei que não sou) a melhor pessoa do mundo, mas juntando a Letícia dos 7 e a Sanseverini dos 23, vejo que, apesar de não ter conseguido absolutamente nada dos meus sonhos, se desesperar agora, 16 anos depois não vai resolver muita coisa.

No fundo eu ainda acredito na Letícia dos 7 e de tudo que ela se prometeu. Ainda sinto o coração acelerar com demonstrações e pessoas e carinhos e toda essa baboseira melequenta de amor e paixão, mas a racionalidade da Sanseverini (que é muita, acredite) tem tomado cada vez mais conta de mim. Eu sei que ainda não posso medir as consequências disso tudo. É um “investimento” de alto risco a longo prazo…

É, se eu entendesse mais dessas coisas de investimento, talvez tivesse desencanado disso tudo logo no início…

(outro texto sem fim)

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