Aos meus não namorados.

Eu sinto muito meu bem. Sinto (no sentido do perdão) por querer saber demais. E por sempre descobrir demais. Sinto (no sentido de desculpas) por me envolver. No sentido de desculpas, afinal, a culpa disso tudo não é (só) minha.

Eu também sinto por sentir. Por não saber conter, por não saber ser menos. Sinto muito (muito mesmo)

Sinto também que não sentimos o mesmo. Sinto que, a cada ida você muda um pouquinho. Sinto que a cada volta você sente menos. Sinto que nossas liberdades são diferentes e nos apoiar a elas seria como confiar no desconfiável.

E desconfio que sinto que vai ser sempre assim.

Eu sinto muito meu bem, mas seria melhor se não tivessemos sentido nada…

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Receita de corações queimados.

Metade de mim é decepção. A outra metade é vazia. Nessa outra metade adicione dor, raiva, uma pitada de um desespero maluco e muito, muito do que já vivi antes. Jogue tudo num processador. Processe.

Tempere com desejos não realizados, com expectativas estraçalhadas (que não deveriam existir nessa época do ano. Não é tempo de colher expectativa), aquela catarse que dá o toque especial. É o que se sente primeiro ao experimentar.

A segunda parte é simples. Amasse, sove, machuque. Desconte sua raiva. Deixe descansar. Não dê sinal de vida, não procure saber se essa massa cresceu ou perdeu o ponto.

Corte como desejar. Pedacinhos, nacos que se encontram vez por outra e se juntam numa forma pequena, que diminui cada vez mais.

A parte importante. Leve para o fogo e queime. O importante é não deixar um pedaço intacto.

Se quiser decorar por cima, com enfeites estúpidos e outros doces sortidos, fica a seu critério.

Tempo de preparo: Pouco mais de um mês.

Rendimento: Um coração despedaçado.

Observação: Cada vez que preparam essa receita, uma parte dos ingredientes originais se perde. Ingredientes esses raros de se encontrar. Essa receita deveria ser consumida com moderação.