So long, goodbye!

Acordei hoje mais “cedo” do que de costume. Senti um gosto de quarta nessa terça (quarta é o dia que coisas estranhas geralmente acontecem), mas, de fato não acredito que tenha percebido que algo do qual não esperava aconteceria. Ou já tinha acontecido. Vi um RT do Luiz, um amigo da faculdade num tweet do Ale Rocha. Perguntei se ele tinha alguma notícia do quadro do Ale pós transplante e coisa e tal e recebi a resposta de que não sabia de nada no mesmo tempo em que recebi de um amigo a pergunta se eu tava bem por causa do jornalista que faleceu. 

A internet me ajudou a confirmar o que queria muito que não fosse verdade. O Ale foi embora!

E aqui conto pra vocês como conheci o homem da Poltrona…

Entrei no twitter em 2008 e como não tinha muito o que fazer constantemente participava de promoções. Uma delas do Poltrona, sem saber quem era o dono, o que ele fazia nem nada do gênero. Eu queria ganhar um livro legal. E ganhei. Tive uma resposta criativa o suficiente pra chamar a atenção dele. Ele me mandou dm pedindo e-mail e endereço pra enviar o livro. Eis a surpresa. Sou vizinha do Ale Rocha. De rua, mas sou. Desde então passamos a nos tratar por vizinho/vizinha. Ele disse que morava no prédio da rua de baixo e numa brincadeira falei que em pouco tempo descobriria qual era. Afinal, tem só três prédios na rua dele. Descobri. Brinquei inúmeras vezes que ia filar uma boia da mulher dele e brincar de videogame com o filho dele. Inúmeras foram as vezes que, da minha maneira dei força e fé e esperança pra ele, pro estado dele. Um guerreiro. 

Enfim, o tempo passou, continuamos amigos/vizinhos, conversamos, rimos e nos encontramos algumas vezes no rock em Mogi. Na balada que eu trabalhava. Impossível não querer a companhia do Ale num rock. Ele sabia cantar, ele sabia curtir (a medida do que era possível) e soube abrir um sorriso ao descobrir que enfim o Buxixo venderia Heineken. A única preocupação era se ela seria estupidamente gelada.

O tempo passou, encontrei em um site gringo algo sobre doenças crônicas e o que a pessoa havia feito pra “passar” a dor do sofrimento “eterno” de se conviver com uma doença, uma condição ou situação “pra sempre”. Imediatamente enviei pra ele e a resposta de agradecimento pela força nao poderia ser diferente do que eu esperava.

Recentemente descobrimos em casa algumas coisas não tão boas também relacionadas a doenças crônicas e acabei desabafando com ele que me bombardeu de links de sites que poderiam nos ajudar. Com medicamentos, assistência e coisa e tal. (nunca cheguei a ler os sites, mas salvei todos aqui, foi mal Ale) Nossa última conversa foi a que eu queria, exigia a presença dele no meu aniversário para tomarmos um suco. A resposta? “Eu não tô morto não.” (Ele queria uma cerveja, claro!)

Umas duas semanas depois recebemos via twitter a notícia de que ele finalmente havia conseguido o transplante. “Hoje é dia de rock, bebê!” foi o último tweet dele…

A dor no coração que sinto (que sentimos, os amigos, os followers, admiradores) não chega nem chegará perto das dores que você sentia e que nós achávamos que sentíamos também quando nada podia ser feito. Seu dia chegou, você não foi sem conseguir o que esperava, o que precisava.

O desfecho dessa novela pode não ter sido o mais feliz, o que a audiência esperava do autor de lá de cima. A crítica no momento rebate com fúria tudo o que aconteceu. Talvez mais tristeza do que fúria. Mas um pouquinho de raiva sim. Queríamos você por aqui. Queríamos poder decidir com você o final dessa novela. Outros capítulos surgirão na vida dos protagonistas da família Rocha. Nós, espectadores distantes estaremos sempre aqui. Torcendo, vibrando e lutando pela felicidade deles. Desejo a família do Ale toda força que esse mundo possa dar a vocês. Desejo ao Ale muita paz (que agora, por mais que cedo demais ele tenha conseguido)

 

Hoje é dia de rock, de grunge, de Heineken e do Ale, bebê!

Ao som de Pearl Jam, pra você vizinho!