Categoria nova – Coisas da vida

Já faz algum tempo que tive ideia dessa categoria, mas nunca (pra variar) tive tempo/vontade de colocá-la no ar. Eis então o momento ideal. Apresento a vocês as Coisas da Vida.

Coisas da vida é bem simples. É uma frase traduzida do inglês do escritor Kurt Vonnegut e vem do livro Slaughterhouse 5 (Matadouro 5). O livro conta a história do soldado Billy Pilgrim na Segunda Guerra Mundial e suas viagens no tempo. Sim, explicarei meio por cima pra não perder a emoção (caso você se interesse em ler).

Billy Pilgrim é um magrelo meio missionário meio soldado que vai pra guerra e é capturado pelos soldados alemães e levado ao Matadouro 5. Um tipo de campo de concentração de soldados americanos. Durante toda a história, Pilgrim tem essas viagens no tempo que são tanto para o passado quanto para o futuro. Durante o livro, como esperado, pessoas morrem, e quando morrem, Kurt usa a expressão “So it goes” para “explicar” o fato, o acontecimento. Numa tradução bem simples e direta, So it goes significa Merda acontece. E a vida é irônica demais!

An old man turned 98, he won a lottery and died the next day.

Uma outra frase que explica bem o sentido de So it Goes é a seguinte:

Que sera, sera, 

Whatever will be, will be,

The future is not ours to see.

Que sera, sera

Ou seja, basicamente merda acontece e não há como mudar o destino. Ainda posso dizer pra vocês outro escritor que tem a mesma pegada que Kurt Vonnegut: Douglas Adams. Sim, ele mesmo! Se você leu o Guia do Mochileiro das Galáxias e toda a saga deve ter reparado no infinito de coisas bizarras que acontecem com pessoas que fizeram um ato ruim e que logo em seguida tiveram o payback da vida. Algo como o Karma em sua forma mais pura, bonita e imediata.

Bom, sem mais delongas, inicio hoje a primeira categoria oficial do blog. Espero que gostem!!

 

Motorista morre atropelado ao fugir de acidente no ES.

Um motorista morreu atropelado após tentar fugir de um acidente na noite deste domingo (25), no trecho da BR-101 conhecido como Rodovia do Contorno, em Cariacica, na Grande Vitória. Segundo testemunhas, o homem, de 41 anos, atingiu um motociclista e tentou fugir sem prestar socorro.

O acidente aconteceu por volta das 21h. Segundo familiares, a vítima estava em um almoço de família e seguia para casa quando, ao passar pela rodovia, atingiu o motociclista. Populares que estavam próximo ao local ainda tentaram conter o motorista, mas ele correu e acabou sendo atropelado por um veículo, modelo Uno.

Segundo a polícia, o motociclista atingido pela vítima sofreu apenas arranhões, foi socorrido e encaminhado para o Hospital São Lucas, em Vitória.

Fonte: G1

Obs: Eu poderia ainda aproveitar esse post simples com uma história comum pra apontar as diferenças entre Thor e a vítima, mas deixo isso pra vocês…

So it goes…

Coisas da vida, meus amigos…

Caso Thor Batista – Fomos surpreendidos novamente

Como é de conhecimento geral, Thor Batista, 20 anos,  filho do bilionário Eike Batista envolveu-se em um acidente no último sábado, (17). No acidente Thor atropelou e matou um ciclista, Wanderson Pereira dos Santos, 30 anos em sua Mercedes de só 2 milhões de reais (média).

Foi então que começou uma comoção nacional contra ricos metidos com seus carros importados. A princípio o primeiro indício é que Thor estava bêbado, drogado e por isso aconteceu o acidente. Thor então fez o teste do bafômetro, que deu 0,0% de álcool no sangue.

Ok, ele não estava bêbado. Mas sem dúvida alguma não vai ajudar em nada, fugir das responsabilidades que tem, já que é milionário, diziam as pessoas em suas redes sociais e rodas de bar. Errado! Thor prestou todo e qualquer apoio que estava ao alcance dele, inclusive arcando com os custos do velório do ciclista.

Então ele só podia estar acima do limite de velocidade. É um moleque inconsequente, riquinho mimado. Sem dúvida! – Não, não é. A velocidade do carro pode ser “confirmada” pelo simples fato de que os airbags do carro não foram acionados. O que significa que o carro não estava a mais de 100km/h (quando os airbags acionam).

A massa começa a estranhar. Então dizem que Thor, Eike e seus três advogados não deixaram fazer a perícia necessária para comprovar o acidente ou a culpabilidade do “moleque”. Errados novamente. Toda perícia foi feita, o carro não foi alterado ou a perícia teve qualquer tipo de dificuldade com a família em relação a isso.

Então descobrem o motivo do acidente. Na CNH de Thor constavam 52 pontos, esses na grande maioria por multas de limite de velocidade ultrapassado. Uma pessoa pública e cheia da grana com 20 anos sai pra beber acompanhada provavelmente de no mínimo uns 4 seguranças. Nenhum milionário que se preze deixa o destino bater à porta e espera que a vida seja sempre boazinha com eles. (Como se ter dinheiro, viagens, carros e mansões não fosse o suficiente, dizem os mais invejosos). Então se eu sou um desses 4 caras, eu sem dúvida alguma dirigiria o carro como se estivesse num filme do Velozes e Furiosos. Não justifica, mas é óbvio que o carro não era dirigido por apenas uma pessoa.

Datena, mais uma vez faz a festa. Se lambuza na alegria que é culpar alguém. O juiz todo poderoso da nação da classe bitolada brasileira.

Hoje então sai o laudo do exame toxicológico de Wanderson. Foi detectada a concentração de 15,5 dg/L de álcool na vítima. E agora José? Como culparemos Thor? Ou pior, será que podemos culpar o pobre Wanderson por tudo que aconteceu?

Permaneci sem me manifestar sobre o caso até agora por um simples fato: Precisamos de provas para acusar, incriminar alguém. Provas concretas. Aqui mesmo no trabalho, enquanto escrevia o post um amigo parou atrás de mim e disse que o exame foi comprado. Não acredito que tenha sido.

Eu acredito em um mundo que pensa que temos que culpar sempre quem se encontra numa posição melhor que a gente por erros que eles podem (ou não) ter cometido. Tendemos a achar que só porque ele é “um moleque milionário” que ele não tem a mínima consciência de seus atos. Estamos muito errados.

O caso de Thor não é uma verdade universal. É um dos poucos na verdade que vi até hoje em que ele assume toda a responsabilidade de seus atos. Contrário extremo do caso da menininha que foi morta atropelada pelo Jetski. A família do adolescente é de Mogi das Cruzes (minha cidade “querida”), e quando a notícia estava já na “boca do povo”, sem saber o nome dos envolvidos, em Mogi só se falava no nome de uma família específica. Dito e feito. Enfim, só uma consideração a respeito desse outro caso.

Quer dizer, caráter, decência, consciência e responsabilidade não vem de berço ou de bolso. Julgar da poltrona de casa uma imprudência alheia é muito fácil. Querer sacrificar alguém por isso então…

O que fica dessa história toda? Absolutamente nada. Assim que tivermos um próximo caso semelhante, sacrificaremos então o mais forte. Porque é esse o papel dele na sociedade…

Obs: Sou pobre, tenho atualmente 13 reais na minha conta corrente e não acho que isso seja uma Ode à riqueza. Acho que temos que rever nossos conceitos sobre tudo e todos. E pensar pelo menos mil vezes antes de falar. (Queria eu seguir meu próprio conselho mais vezes)

Johnny Cash – O verdadeiro homem de preto

Sempre deixo meus blogs abandonados por meses até decidir voltar a escrever, ou no mínimo ter inspiração pra começar um texto. Eis que hoje, quinta feira, 22 de março de 2012 cheguei no trabalho e bateu aquela vontade de ouvir a discografia inteira do Johnny Cash. Comecei pegando um vídeo dele com a June Carter cantando You Are My Sunshine, e resolvi que seria dele que escreveria. The biggest sinner of all, como ele se intitulava. Esse, é meu centésimo post no meu blog velho e querido. E é com prazer que conto pra vocês um pouco do cara mais foda dos últimos tempos.

John R. Cash nasceu dia 26 de fevereiro de 1932, em Kingsland, Arkansas e era o quarto de sete irmãos. Eles eram de uma família não muito rica, nem muito pobre. Acho que classe média baixa para aquela época se encaixa bem no perfil. E resumindo bastante a vida dele antes da carreira, ele começou a cantar e tocar violão bem cedo. Chegou a cantar na rádio local músicas gospel na época da escola e até gravou um álbum com essas músicas. Em 1950 ele se alistou no exército e foi dispensado (com honras e tudo mais) em 1954, quando ele casou com a primeira mulher, Vivian Liberto.

You told me once, dear, you really loved me
And no one else could come between.
But now you’ve left me and love another,
You have shattered all my dreams.

Com Vivian, Cash teve 4 meninas e por conta do uso abusivo de álcool, drogas e uma safadeza com as mulheres, ele se divorciou em 1966. Nessa ele já era famoso e já conhecia a June Carter, por quem ele sempre demonstrou (muito) interesse. Mas June era dessas difíceis e espertas mulheres que não dão mole pra “qualquer um” e fez o Johnny Cash pastar por 13, repito, TREZE anos na mão dela até de fato, em um show em London, Ontario, no palco, ele pedi-la em casamento e ela finalmente aceitar.

Infelizmente não existe um vídeo desse momento que deve ter sido completamente arrepiante e lindo. Então fiquem com os dois, já casados se apresentando em San Quentin.

We got married in a fever, hotter than a pepper sprout…

Johnny Cash e June Carter então se casaram e viveram felizes durante 35 anos. Tiveram um filho, escreveram e compuseram juntos algumas várias músicas de sucesso até que em 15 de maio de 2003, June Carter faleceu. O último pedido dela foi que Cash continuasse a compor e trabalhar e cantar e nos quatro meses que sucederam a morte de June, Cash escreveu 60 músicas e chegou inclusive a apresentar algumas delas.

Johnny & June

Cash tinha essa paixão de falar sobre a prisão, a “dorzinha no coraxaum”, humor e arrependimento e você consegue sentir isso tudo em um só álbum. Apesar da fama de Bad Boy, briguento e encrenqueiro que ele tinha, ele nunca deu trabalho de verdade ou foi preso por mais de uma noite por pequenas brigas, desentendimentos. No total, ele foi “preso” sete vezes. Cash também disse em várias entrevistas que ele experimentou todas as drogas possíveis e imagináveis.

Bad ass

Na última apresentação do Cash pro público, antes de começar a tocar ele falou sobre a June:

The spirit of June Carter overshadows me tonight with the love she had for me and the love I have for her. We connect somewhere between here and heaven. She came down for a short visit, I guess, from heaven to visit with me tonight to give me courage and inspiration like she always has.

O espírito de June Carter me cobriu essa noite pelo amor que ela tinha por mim e pelo amor que eu tenho por ela. Nós nos conectamos em algum lugar entre aqui e o céu. Ela veio para uma pequena visita, eu acho, do céu para me visitar hoje essa noite e me dar coragem e inspiração, como ela sempre fez.

Em 1997, Johnny foi diagnosticado com uma doença neurodegenerativa, que depois foi alterado pra um quadro de neuropatia associada a diabetes. Em 98 ele foi internado com uma pneumonia severa que acabou por danificar os pulmões dele. Os dois álbuns que ele lançou em 2002 eram mais calmos e “serenos” que o nromal, devido a esse problema. Cash faleceu menos de quatro meses depois que a June tinha falecido por complicações no quadro de diabetes.

Johnny & June

Quer dizer, o cara era o bad boy, rockabilly, rock’nroll, country, usuário pesado de drogas (largou depois), álcool, confusões, e sabia amar e ser amado. Sabia cantar e tocar como ninguém e influenciou um infinito de artistas que ouvimos hoje. A história de Cash é incrível de cabo a rabo e, se você ainda não conhece ou não ouviu pelo menos um álbum dele, não sabe o que está perdendo.

Walk the Line

Pra quem assistiu o filme Walk the Line com Joaquim Phoenix e Reese Witherspoon sabe da emoção que é ouvir e ver o Live at Folsom Prison acontecer. Johnny Cash sempre foi muito brincalhão, sarcástico, engraçado e nas cenas do filme isso se torna muito claro. Eu recomendo assistir não uma, nem duas, mas quantas vezes seu coração aguentar. É lindo demais!

Walk the Line

Discografia

Vai vendo o quão foda Johnny Cash foi durante toda sua vida…

55 álbuns em estúdio

6    live

84 compilados

165 singles

19 vídeos

2   soundtracks

13 singles no primeiro lugar

Deixo vocês então com uma das minhas músicas favoritas dele: Cocaine Blues. Tanto a imagem quanto o som não estão muito bons, mas queria que vocês sentissem um pouquinho da emoção e do arrepio que me dá quando me imagino em 1970, 1980 com ele cantando.

Essa música fala de quando ele foi preso por matar a mulher depois de cheirar cocaína. Ele tenta fugir, chega em Juarez no México e é preso. A desculpa dele por ter matado a “vadia” foi porque ele achava que era o único homem na vida dela, mas ela tinha mais outros 5 “daddies” (papais).

Update: Futuramente postarei algumas curiosidades e outras coisas legais que faltaram dizer sobre Johnny Cash!