Johnny Cash – O verdadeiro homem de preto

Sempre deixo meus blogs abandonados por meses até decidir voltar a escrever, ou no mínimo ter inspiração pra começar um texto. Eis que hoje, quinta feira, 22 de março de 2012 cheguei no trabalho e bateu aquela vontade de ouvir a discografia inteira do Johnny Cash. Comecei pegando um vídeo dele com a June Carter cantando You Are My Sunshine, e resolvi que seria dele que escreveria. The biggest sinner of all, como ele se intitulava. Esse, é meu centésimo post no meu blog velho e querido. E é com prazer que conto pra vocês um pouco do cara mais foda dos últimos tempos.

John R. Cash nasceu dia 26 de fevereiro de 1932, em Kingsland, Arkansas e era o quarto de sete irmãos. Eles eram de uma família não muito rica, nem muito pobre. Acho que classe média baixa para aquela época se encaixa bem no perfil. E resumindo bastante a vida dele antes da carreira, ele começou a cantar e tocar violão bem cedo. Chegou a cantar na rádio local músicas gospel na época da escola e até gravou um álbum com essas músicas. Em 1950 ele se alistou no exército e foi dispensado (com honras e tudo mais) em 1954, quando ele casou com a primeira mulher, Vivian Liberto.

You told me once, dear, you really loved me
And no one else could come between.
But now you’ve left me and love another,
You have shattered all my dreams.

Com Vivian, Cash teve 4 meninas e por conta do uso abusivo de álcool, drogas e uma safadeza com as mulheres, ele se divorciou em 1966. Nessa ele já era famoso e já conhecia a June Carter, por quem ele sempre demonstrou (muito) interesse. Mas June era dessas difíceis e espertas mulheres que não dão mole pra “qualquer um” e fez o Johnny Cash pastar por 13, repito, TREZE anos na mão dela até de fato, em um show em London, Ontario, no palco, ele pedi-la em casamento e ela finalmente aceitar.

Infelizmente não existe um vídeo desse momento que deve ter sido completamente arrepiante e lindo. Então fiquem com os dois, já casados se apresentando em San Quentin.

We got married in a fever, hotter than a pepper sprout…

Johnny Cash e June Carter então se casaram e viveram felizes durante 35 anos. Tiveram um filho, escreveram e compuseram juntos algumas várias músicas de sucesso até que em 15 de maio de 2003, June Carter faleceu. O último pedido dela foi que Cash continuasse a compor e trabalhar e cantar e nos quatro meses que sucederam a morte de June, Cash escreveu 60 músicas e chegou inclusive a apresentar algumas delas.

Johnny & June

Cash tinha essa paixão de falar sobre a prisão, a “dorzinha no coraxaum”, humor e arrependimento e você consegue sentir isso tudo em um só álbum. Apesar da fama de Bad Boy, briguento e encrenqueiro que ele tinha, ele nunca deu trabalho de verdade ou foi preso por mais de uma noite por pequenas brigas, desentendimentos. No total, ele foi “preso” sete vezes. Cash também disse em várias entrevistas que ele experimentou todas as drogas possíveis e imagináveis.

Bad ass

Na última apresentação do Cash pro público, antes de começar a tocar ele falou sobre a June:

The spirit of June Carter overshadows me tonight with the love she had for me and the love I have for her. We connect somewhere between here and heaven. She came down for a short visit, I guess, from heaven to visit with me tonight to give me courage and inspiration like she always has.

O espírito de June Carter me cobriu essa noite pelo amor que ela tinha por mim e pelo amor que eu tenho por ela. Nós nos conectamos em algum lugar entre aqui e o céu. Ela veio para uma pequena visita, eu acho, do céu para me visitar hoje essa noite e me dar coragem e inspiração, como ela sempre fez.

Em 1997, Johnny foi diagnosticado com uma doença neurodegenerativa, que depois foi alterado pra um quadro de neuropatia associada a diabetes. Em 98 ele foi internado com uma pneumonia severa que acabou por danificar os pulmões dele. Os dois álbuns que ele lançou em 2002 eram mais calmos e “serenos” que o nromal, devido a esse problema. Cash faleceu menos de quatro meses depois que a June tinha falecido por complicações no quadro de diabetes.

Johnny & June

Quer dizer, o cara era o bad boy, rockabilly, rock’nroll, country, usuário pesado de drogas (largou depois), álcool, confusões, e sabia amar e ser amado. Sabia cantar e tocar como ninguém e influenciou um infinito de artistas que ouvimos hoje. A história de Cash é incrível de cabo a rabo e, se você ainda não conhece ou não ouviu pelo menos um álbum dele, não sabe o que está perdendo.

Walk the Line

Pra quem assistiu o filme Walk the Line com Joaquim Phoenix e Reese Witherspoon sabe da emoção que é ouvir e ver o Live at Folsom Prison acontecer. Johnny Cash sempre foi muito brincalhão, sarcástico, engraçado e nas cenas do filme isso se torna muito claro. Eu recomendo assistir não uma, nem duas, mas quantas vezes seu coração aguentar. É lindo demais!

Walk the Line

Discografia

Vai vendo o quão foda Johnny Cash foi durante toda sua vida…

55 álbuns em estúdio

6    live

84 compilados

165 singles

19 vídeos

2   soundtracks

13 singles no primeiro lugar

Deixo vocês então com uma das minhas músicas favoritas dele: Cocaine Blues. Tanto a imagem quanto o som não estão muito bons, mas queria que vocês sentissem um pouquinho da emoção e do arrepio que me dá quando me imagino em 1970, 1980 com ele cantando.

Essa música fala de quando ele foi preso por matar a mulher depois de cheirar cocaína. Ele tenta fugir, chega em Juarez no México e é preso. A desculpa dele por ter matado a “vadia” foi porque ele achava que era o único homem na vida dela, mas ela tinha mais outros 5 “daddies” (papais).

Update: Futuramente postarei algumas curiosidades e outras coisas legais que faltaram dizer sobre Johnny Cash!

6 thoughts on “Johnny Cash – O verdadeiro homem de preto

  1. Eu vi anos atrás o filme dele no telecine acho, muito legal, lembro de um dos últimos (se não o ultimo) clipes que ele gravou já idoso e um pouco debilitado!

  2. U-A-U! Acho que no fim, pra nós mulheres, tudo se resume à uma bela história de amor, né? hahahahaha

    Mas eu não conhecia a história dele. E acho ótimo você ter reativado o blog. Favor não parar mais de postar. Humpf.

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