Caso Thor Batista – Fomos surpreendidos novamente

Como é de conhecimento geral, Thor Batista, 20 anos,  filho do bilionário Eike Batista envolveu-se em um acidente no último sábado, (17). No acidente Thor atropelou e matou um ciclista, Wanderson Pereira dos Santos, 30 anos em sua Mercedes de só 2 milhões de reais (média).

Foi então que começou uma comoção nacional contra ricos metidos com seus carros importados. A princípio o primeiro indício é que Thor estava bêbado, drogado e por isso aconteceu o acidente. Thor então fez o teste do bafômetro, que deu 0,0% de álcool no sangue.

Ok, ele não estava bêbado. Mas sem dúvida alguma não vai ajudar em nada, fugir das responsabilidades que tem, já que é milionário, diziam as pessoas em suas redes sociais e rodas de bar. Errado! Thor prestou todo e qualquer apoio que estava ao alcance dele, inclusive arcando com os custos do velório do ciclista.

Então ele só podia estar acima do limite de velocidade. É um moleque inconsequente, riquinho mimado. Sem dúvida! – Não, não é. A velocidade do carro pode ser “confirmada” pelo simples fato de que os airbags do carro não foram acionados. O que significa que o carro não estava a mais de 100km/h (quando os airbags acionam).

A massa começa a estranhar. Então dizem que Thor, Eike e seus três advogados não deixaram fazer a perícia necessária para comprovar o acidente ou a culpabilidade do “moleque”. Errados novamente. Toda perícia foi feita, o carro não foi alterado ou a perícia teve qualquer tipo de dificuldade com a família em relação a isso.

Então descobrem o motivo do acidente. Na CNH de Thor constavam 52 pontos, esses na grande maioria por multas de limite de velocidade ultrapassado. Uma pessoa pública e cheia da grana com 20 anos sai pra beber acompanhada provavelmente de no mínimo uns 4 seguranças. Nenhum milionário que se preze deixa o destino bater à porta e espera que a vida seja sempre boazinha com eles. (Como se ter dinheiro, viagens, carros e mansões não fosse o suficiente, dizem os mais invejosos). Então se eu sou um desses 4 caras, eu sem dúvida alguma dirigiria o carro como se estivesse num filme do Velozes e Furiosos. Não justifica, mas é óbvio que o carro não era dirigido por apenas uma pessoa.

Datena, mais uma vez faz a festa. Se lambuza na alegria que é culpar alguém. O juiz todo poderoso da nação da classe bitolada brasileira.

Hoje então sai o laudo do exame toxicológico de Wanderson. Foi detectada a concentração de 15,5 dg/L de álcool na vítima. E agora José? Como culparemos Thor? Ou pior, será que podemos culpar o pobre Wanderson por tudo que aconteceu?

Permaneci sem me manifestar sobre o caso até agora por um simples fato: Precisamos de provas para acusar, incriminar alguém. Provas concretas. Aqui mesmo no trabalho, enquanto escrevia o post um amigo parou atrás de mim e disse que o exame foi comprado. Não acredito que tenha sido.

Eu acredito em um mundo que pensa que temos que culpar sempre quem se encontra numa posição melhor que a gente por erros que eles podem (ou não) ter cometido. Tendemos a achar que só porque ele é “um moleque milionário” que ele não tem a mínima consciência de seus atos. Estamos muito errados.

O caso de Thor não é uma verdade universal. É um dos poucos na verdade que vi até hoje em que ele assume toda a responsabilidade de seus atos. Contrário extremo do caso da menininha que foi morta atropelada pelo Jetski. A família do adolescente é de Mogi das Cruzes (minha cidade “querida”), e quando a notícia estava já na “boca do povo”, sem saber o nome dos envolvidos, em Mogi só se falava no nome de uma família específica. Dito e feito. Enfim, só uma consideração a respeito desse outro caso.

Quer dizer, caráter, decência, consciência e responsabilidade não vem de berço ou de bolso. Julgar da poltrona de casa uma imprudência alheia é muito fácil. Querer sacrificar alguém por isso então…

O que fica dessa história toda? Absolutamente nada. Assim que tivermos um próximo caso semelhante, sacrificaremos então o mais forte. Porque é esse o papel dele na sociedade…

Obs: Sou pobre, tenho atualmente 13 reais na minha conta corrente e não acho que isso seja uma Ode à riqueza. Acho que temos que rever nossos conceitos sobre tudo e todos. E pensar pelo menos mil vezes antes de falar. (Queria eu seguir meu próprio conselho mais vezes)

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