Welcome back, Alice!

Era tarde da noite quando vi que ela estava por lá. Veio acanhada, tadinha. Tipo um cachorro de rua mal tratado, molhado, com o rabo no meio das pernas. Aos poucos foi se soltando. Se sentindo em casa. Deitou na cama, finalmente. Na sua cama. Grande e confortável. Grande e vazia. E era disso que ela precisava. A cama só pra ela. O espaço que sempre teve pra si. O espaço que ela não fazia ideia que sentia falta. (eu fiquei no sofá) Na cama, com os braços por baixo da cabeça lembrou-se da goteira. Lembrou também de todas as decisões que teve olhando pra ela – As pessoas precisam de uma zona de conforto pra tomar decisões. A goteira era exatamente o que ela precisava.

Não foi preciso muito tempo pra chegar a uma conclusão, mas foi preciso muito tempo pra decidir que uma conclusão deveria ser tomada.

Olhando agora pras paredes foi fácil lembrar também por tudo que elas tinham passado. Essas paredes tem história. Ainda é possível ver manchas, vestígios/resquícios do que ela já foi. Assim como também vemos nas pessoas o que nunca deixaram na verdade de ser.

Covardes, medrosas, sem rumo. A parede era passado. Os medos e monstros também ficaram pra trás.

Ela encheu o peito de ar. Respirou bem fundo mesmo e disse.

Não posso mais esperar, coelho. Não posso mais me atrasar.

Alice está de volta. Seja bem vinda novamente.

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