Feliz dia dos Namorados!

A minha vida inteira eu sofri muito por amores. Meu primeiro amor foi o Gui. Um menino da EMEI que chegava com ossinhos de galinha do almoço, me mostrava os ralados nas pernas e dizia que o osso tinha saído da perna dele e era por isso que elas estavam sempre com casquinha de machucado. Eu tinha uns 6, ele uns 7 e nunca rolou nem um beijinho. Quando mudei de escola e fiquei “mais velha”, com uns 9, 10 anos minha paixão era o Rodrigo. Eu brincava de “jeans” no intervalo das aulas só pra poder correr atrás dele. Ou então esperar que ele corresse atrás de mim. Relacionamentos não eram assim?

Quando cheguei aos meus 11 anos, em uma festa junina da escola me disseram que o Rodrigo estaria me esperando na rampa, pra me dar um beijo. E adivinhem vocês, ele não tava lá. Depois teve o Felipe, do qual eu sabia o telefone, o endereço, a placa do carro da mãe dele e até os dias que ele ficava mais tarde na escola. Eu era muito fofa (e feia, muito feia) então sempre dava umas balinhas e pirulitos pra ele, porque eu queria vê-lo feliz, até perceber que ele não queria nada comigo. Então, em uma das viagens de férias com a família eu voltei com um saco de balas de gengibre e dei umas pra ele. E sabe o que aconteceu? Ele atravessou o corredor da escola correndo, com a boca ardendo. Hoje o Felipe está casado com uma menina que era da minha sala. E ele é super religioso (não combinaria comigo nunca, né?) Ainda sobre as viagens com a família, cada vez que viajávamos era uma paixãozinha correspondida (ou não) que eu trazia nas malas pra casa. É claro que nunca acontecia nada, eu era novinha de tudo e achava que amar alguém e sentir aquelas borboletas no estômago já me bastavam. Sempre gostei de me apaixonar. Foi assim que aprendi a escrever, quando comecei a sofrer por amor. E foram muitos textos escritos em cadernos, diários secretos e posteriormente blogs, fotologs…

Apesar de ter passado minha vida apaixonada por vários carinhas e até beijado muito, (graças a deus) nunca tinha acontecido nada de especial de verdade. Nenhuma declaração de amor significativa nem nada do tipo. Meus namorinhos eram curtos e sem graça e o que eu curtia mesmo era curtir a vida e ser feliz. Mas sabe quando ser feliz sozinha não basta?

Poxa, minha vida inteira fui condicionada (fomos) a acreditar que as pessoas só são felizes acompanhadas, de um grande amor, uma paixão arrebatadora. Demorou, mas eu me libertei dessa condição de achar que eu só seria feliz se tivesse alguém e por algum tempo eu fui feliz sozinha.

Mas como esse não é o fim da história, claro que muita coisa ia mudar na vida dessa protagonista. O tempo passou e eu sofri calado e a vida foi se parecendo mais com o que tenho hoje. Eu cresci, me tornei responsável pela minha vida, minha casa. E é aí que nossa história começa…

Quando a gente se conheceu eu esqueci dele. Pois é, aquela coisa do momento, de conhecer um monte de gente nova num lugar bacana, acabou entrando no esquecimento (isso porque eu também tava bêbada) E depois ele disse que eu disse que lembrei da primeira vez que nos vimos, mas a verdade é que eu não lembro de muita coisa daquela época específica. E por uma loucura do destino (e da internet) a gente “se conheceu” novamente. E aí sim foi foda.

Foi foda e muito louco, porque a gente é diferente, mas é igual. E podem me chamar de rapidinha, mas logo na primeira vez que a gente dormiu juntos, a gente também tomou banho juntinhos. Eu só tinha compartilhado um chuveiro com mais uma pessoa na minha vida inteira. Era muita intimidade, muita vergonha, muito tudo. Mas com a gente nunca teve isso. Foi bom desde o primeiro momento.

E cara, como eu sofri na mão dele. Ele também sofreu na minha e demorou muito até a gente chegar onde a gente tá. Sofrer por um amor que você sabe que é seu e de mais ninguém é muito difícil. E depois, quando passa essa fase cheia de zica, vem a fase boa, cheia de amor e alegria. Um motivo pra sorrir todos os dias e contar os minutos pro final de semana.

E depois de tudo, começam a vir os problemas de verdade. Os problemas que a vida entrega numa baldada de água fria que você não sabe nem de onde veio e pior, você não tem uma toalha por perto pra se secar. Mas você tem alguém do seu lado pra se molhar junto e dizer: calma cara.

A gente já passou por muita coisa juntos e todo mundo acha que a gente já é um casal velho (antigo), mas não. Só tem um ano de alegria, de momentos inesquecíveis (ou esquecíveis, porque né, vocês conhecem bem esse casal 4:20) e de muito perrengue superado com amor, com um colo e um kit que resolve tudo.

E além disso tudo eu sei que não percorremos nem um  degrau da nossa vida juntos. Que vamos subir muitos outros e ocasionalmente escorregar em uns, porque, como a vida já mostrou pra gente, ser verdadeiramente feliz ao lado de alguém que a gente ama pode nem sempre ser tão fácil assim. Mas vale a pena cada segundo do seu lado.

Hoje eu tenho a certeza que apesar de qualquer coisa, das nossas briguinhas por exemplo, por conta de você não deixar eu vomitar o vinho em paz na privada da Brisa, no dia seguinte, depois da ressaca moral, do enjoo que vai durar o dia inteiro, tem um monte de borboletinha no estômago me garantindo que quando eu te encontrar, meu dia vai voltar a ser o melhor do mundo, sempre. E que não importa quantos baldes d’àgua fria a vida me jogar, eu vou ter alguém do meu lado pra se molhar junto, ou então buscar uma garrafa pet, fazer um furo e, bom… o resto deixa com a gente.

Te amo, Ivo Neuman.

Feliz dia dos Namorados!

Momentos Treta!

One thought on “Feliz dia dos Namorados!

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s