Um curta metragem sem reprise

Eu nunca te prometi nada.

Na verdade nem tinha o que prometer. Porque a gente sempre deixava tudo pra amanhã. we will never die

Mas quando você se foi, algo ficou. Um sentimento de culpa por ter de dado as costas na sua última tentativa de aproximação – não lembro nem porque a gente tinha brigado. Algum motivo besta, depois da viagem pra Santos. Por ter achado que a vida era maior e longa demais e que eu não tinha que te perdoar ou voltar a falar com você. Burra eu. we will never die

Oito anos se passaram. Oito anos. Nesse tempo construí uma vida pra mim. “Construí”. Eu não tenho nada. E provavelmente nunca vou ter. Mas eu fui atrás. Eu corri. Eu segui em frente. Todos seguimos. Era preciso. E nesse meio tempo me disseram que eu era parecida com você. E nesse meio tempo não encontrei ninguém que chegasse igual, perto, ou próximo de você. we will never die

E nesses oito anos você se tornou um pouco mais difícil de lembrar. Não por você. Mas pela memória. As mais marcantes nunca se vão. Às vezes se confundem datas, fatos, passos. Normal. Tantos dias se passaram desde então. E mesmo sendo difícil de se lembrar, nunca vai ser possível esquecer você. we will never die

Quando você se foi, você deixou muita coisa. Você sem querer aproximou amigos e fez com que a gente percebesse que a vida é uma só mesmo. Que nossos instintos são fundamentais. Que independente de qualquer coisa, tem que curtir muito a vida. Tem que ser muito feliz. maybe we’ll die someday

Hoje me resta pouco de você. Mas tem tanto de você em mim. E nas músicas, e nos filmes. Sua vida foi de cinema, do começo ao fim.  Dos 2 meses aos 20 sempre rodeada de ação, de suspense, de amores não correspondidos e loucuras de um filme adolescente onde tudo dá quase certo no final. Um curta metragem sem direito de reprise. I’ll die someday

Eu espero que eu esteja honrando de alguma maneira tudo que você deixou quando se foi.

Você se foi. Mas algo definitivamente ficou.

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Mulher escolhe caixão e morre atropelada dois dias depois

Uma aposentada de 76 anos morreu após ser atropelada por um motociclista nesse domingo, 30 de julho em Kaloré, uma cidade que fica a 70km de Maringá e 434km de Curitiba (pra você ter uma noção de como é longe)

O curioso nisso tudo é que dois dias antes a aposentada foi com o marido a uma funerária da cidade e escolheu um caixão azul e branco que era “a cara dela”, de acordo com o viúvo. Obviamente que ao ouvir o pedido de compra do caixão da própria mulher, o marido disse que não o faria.

Ela ainda se despediu das amigas e até mesmo da dona da funerária, pedindo que não a esquecesse.

A senhora ainda chegou a ser atendida, mas não resistiu aos ferimentos.

 

Fica a pergunta: será que dona Dionízia sabia que o fim estava próximo? Será que ela pode ter causado a própria morte?

So it goes…

Descanse em paz, dona Dionízia.

 

Matéria do G1.

Caso Thor Batista – Fomos surpreendidos novamente

Como é de conhecimento geral, Thor Batista, 20 anos,  filho do bilionário Eike Batista envolveu-se em um acidente no último sábado, (17). No acidente Thor atropelou e matou um ciclista, Wanderson Pereira dos Santos, 30 anos em sua Mercedes de só 2 milhões de reais (média).

Foi então que começou uma comoção nacional contra ricos metidos com seus carros importados. A princípio o primeiro indício é que Thor estava bêbado, drogado e por isso aconteceu o acidente. Thor então fez o teste do bafômetro, que deu 0,0% de álcool no sangue.

Ok, ele não estava bêbado. Mas sem dúvida alguma não vai ajudar em nada, fugir das responsabilidades que tem, já que é milionário, diziam as pessoas em suas redes sociais e rodas de bar. Errado! Thor prestou todo e qualquer apoio que estava ao alcance dele, inclusive arcando com os custos do velório do ciclista.

Então ele só podia estar acima do limite de velocidade. É um moleque inconsequente, riquinho mimado. Sem dúvida! – Não, não é. A velocidade do carro pode ser “confirmada” pelo simples fato de que os airbags do carro não foram acionados. O que significa que o carro não estava a mais de 100km/h (quando os airbags acionam).

A massa começa a estranhar. Então dizem que Thor, Eike e seus três advogados não deixaram fazer a perícia necessária para comprovar o acidente ou a culpabilidade do “moleque”. Errados novamente. Toda perícia foi feita, o carro não foi alterado ou a perícia teve qualquer tipo de dificuldade com a família em relação a isso.

Então descobrem o motivo do acidente. Na CNH de Thor constavam 52 pontos, esses na grande maioria por multas de limite de velocidade ultrapassado. Uma pessoa pública e cheia da grana com 20 anos sai pra beber acompanhada provavelmente de no mínimo uns 4 seguranças. Nenhum milionário que se preze deixa o destino bater à porta e espera que a vida seja sempre boazinha com eles. (Como se ter dinheiro, viagens, carros e mansões não fosse o suficiente, dizem os mais invejosos). Então se eu sou um desses 4 caras, eu sem dúvida alguma dirigiria o carro como se estivesse num filme do Velozes e Furiosos. Não justifica, mas é óbvio que o carro não era dirigido por apenas uma pessoa.

Datena, mais uma vez faz a festa. Se lambuza na alegria que é culpar alguém. O juiz todo poderoso da nação da classe bitolada brasileira.

Hoje então sai o laudo do exame toxicológico de Wanderson. Foi detectada a concentração de 15,5 dg/L de álcool na vítima. E agora José? Como culparemos Thor? Ou pior, será que podemos culpar o pobre Wanderson por tudo que aconteceu?

Permaneci sem me manifestar sobre o caso até agora por um simples fato: Precisamos de provas para acusar, incriminar alguém. Provas concretas. Aqui mesmo no trabalho, enquanto escrevia o post um amigo parou atrás de mim e disse que o exame foi comprado. Não acredito que tenha sido.

Eu acredito em um mundo que pensa que temos que culpar sempre quem se encontra numa posição melhor que a gente por erros que eles podem (ou não) ter cometido. Tendemos a achar que só porque ele é “um moleque milionário” que ele não tem a mínima consciência de seus atos. Estamos muito errados.

O caso de Thor não é uma verdade universal. É um dos poucos na verdade que vi até hoje em que ele assume toda a responsabilidade de seus atos. Contrário extremo do caso da menininha que foi morta atropelada pelo Jetski. A família do adolescente é de Mogi das Cruzes (minha cidade “querida”), e quando a notícia estava já na “boca do povo”, sem saber o nome dos envolvidos, em Mogi só se falava no nome de uma família específica. Dito e feito. Enfim, só uma consideração a respeito desse outro caso.

Quer dizer, caráter, decência, consciência e responsabilidade não vem de berço ou de bolso. Julgar da poltrona de casa uma imprudência alheia é muito fácil. Querer sacrificar alguém por isso então…

O que fica dessa história toda? Absolutamente nada. Assim que tivermos um próximo caso semelhante, sacrificaremos então o mais forte. Porque é esse o papel dele na sociedade…

Obs: Sou pobre, tenho atualmente 13 reais na minha conta corrente e não acho que isso seja uma Ode à riqueza. Acho que temos que rever nossos conceitos sobre tudo e todos. E pensar pelo menos mil vezes antes de falar. (Queria eu seguir meu próprio conselho mais vezes)