Volta pra mim?

Eu não passo mais tanto tempo largada na cama.

Eu não passo porque sozinha não tem graça.

A cama vazia dá saudade. A cama vazia dá vontade. Elas se misturam. Elas me enganam.

Eu também já não passo mais tanto tempo procurando outras diversões. Elas não me divertem.

É como se tudo fosse o oposto do que eu realmente queria que fosse. É como se nada mais fizesse sentido.

Eu ainda posso me lembrar de quando prometi, não muito tempo atrás, pra mim mesma, que não me deixaria iludir novamente. Que não teria tempo, cabeça ou coragem pra isso.

Porque é preciso coragem pra se apaixonar. Coragem pra remendar todas as partes de um coração destruído e entregar pra outro ser humano segurar. É se expor, de um jeito que nenhum nude que você manda, te expõe.

Quando a gente acaba se machucando demais, a gente acaba se proibindo de sentir o que já foi sentido uma vez, com medo de que tudo, hora ou outra, eventualmente, vá pelos ares.

Mas eu me deixo levar. Deixo me levar porque é bom. Deixo que você me leve e me pese, e me use. E eu te uso. E a gente se abusa. E é tudo tão bom, sempre, que nem parece que semana que vem tudo volta ao normal e você quase não se lembra de nada do que eu disse. Acho que são muitas histórias paralelas pra acompanhar.

E pensar que me prometi. De pés juntos e cabeça erguida, com a certeza matemática, de que não me deixaria cair nessa mesma armadilha de novo. Mas eu tô aqui, sem armadura, sem defesa, escrevendo como você me dá vontade. Como sua ausência dá saudade. Como eu tenho medo de não ser bem assim e como eu não sei mais lidar com isso.

Então eu queria que você me dissesse, mesmo que nunca leia esse texto. Eu queria saber o que é que você sente. Se dá frio na barriga, se dá aquela falta de ar e aquele risinho de canto de boca que diz: olha, tem mensagem. Aquela sensação angustiante e deliciosa de: tá chegando. Tem mais. Tem muito mais. Aquela vontade de perguntar, de coração aberto e palavras cheias de suor e respiração atrapalhada: também é tão bom assim pra você, como é pra mim? Elas fazem melhor? Elas são mais legais? Elas são mais atraentes?

É mais provável que tudo não passe de mais uma apaixonada aventura, mas tudo bem se for assim também. Acho que posso conviver com isso, enquanto procuro de novo peças, pedaços, vasos e artérias, tudo aquilo que demorei meses pra colar de volta num lugar e te presentear. Você não vai ficar, eu sei disso. Mas dessa vez minha promessa fica. E meu coração também.

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Master Chef Relationships

Eu um dia acreditei que sabia de tudo sobre o amor e relacionamentos.

Achava que entendia de amores platônicos, não correspondidos, mal correspondidos e até aqueles em que quem não corresponde sou eu. Eu também achava que já tinha amado e sido amada reciprocamente, mas o fato de eu achar que sei de tudo sobre algo não faz de fato com que eu saiba de tudo sobre algo. Ou então que o que eu ache que eu sei seja uma verdade ou padrão.

Então nessa onda de me sentir chef em relacionamentos eu vivi minha vida. E um dia me encontrei. E foi nesse dia que me perdi.

A vida tinha me dado uma oportunidade de escolher pratos maravilhosos, sensações únicas e aromas inigualáveis. Todos eles saídos da minha cozinha. A mistura dos temperos, o sabor que tudo tinha. Tão gostoso. Tão apimentado. Tão bem disposto num prato importado. Foi quando, do nada, (ou talvez não tão do nada assim) as coisas começaram a mudar.

Como um chef que, sem querer desanda a massa e não consegue mais acertar a mão, tudo que eu sentia foi desandando. Como num bolo cheio de chantilly num dia quente de verão. Nada mais era certo e toda medida parecia errada. A pressa deixava tudo cru e a falta de atenção tudo queimado.

E assim eu tinha perdido toda receita do bolo. Desde a massa até a cobertura. O recheio? Esquece. Faltou o principal ingrediente pra dar a liga.

Quando um chef perde a inspiração, ele perde parte da vontade de viver. Quando seu maior prazer é agradar alguém e esse prazer é tirado de você, seja pelo destino, seja pela incompetência, seja pelo caralho, é muito difícil voltar a sentir aquele desejo de picar, cortar e sentir o aroma, ver a fumacinha que os pratos quentes soltam. Aos poucos as coisas perdem o sabor. Aos poucos tudo se torna amargo, sem sal, sem açúcar, sem tempero.

Eu achava que como chef já tinha queimado demais meus dedos em panelas. E achava que como um ser humano que (diz que) sente, já tinha calejado esse coração cansado.

Então eles dizem: parece que o jogo virou, não é mesmo?

Parece que sim.

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Look do dia

Dá vontade de usar só cinza. De usar só preto. Viver no luto, como se a roupa mostrasse o que a alma tenta esconder.

Dá vontade de cantar pra você ouvir, pra você chorar, pra você não esquecer. Eu não vou esquecer.

E aí eu me vejo entre um cigarro e outro, bebendo um gole e outro. E tudo conecta a você. A teoria dos seis graus de aproximação. É como se toda conversa me remetesse a tudo que a gente nunca viveu. Como se cada estrofe contasse um verso de um poema que nunca aconteceu.

E aí eu me vejo largando tudo pra achar que eu vou encontrar com você.

Essa terça? Não dá. Acho que tenho um compromisso.

Ih, esse final de semana? Não sei não. Tô esperando um convite.

A disponibilidade me fez vítima. Me fez dependente. Te fez vilão.

Eu não vejo meus amigos. Eu não vejo outras pessoas. Eu só vejo você.

Hoje eu saio de preto, como se minhas roupas mostrassem o que a alma tenta esconder.

Mas a real mesmo é que é só uma calça e uma camiseta que não significam nada.

Camiseta preta. Igual a que você me emprestou aquele dia….

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Síndrome de Estocolmo e os motivos pelos quais eu não tenho fé

Eu ando na rua parecendo um soldado. Com os ombros largos e um bico na boca, são poucos os casos em que homens chegam a mexer comigo. Eu acho que eu boto medo. Essa atitude de andar sempre ereta eu copiei de policiais.

Eu sou tipo uma copycat bem safada. Um camaleão meio esquisito, que não se camufla em nada com esse tanto de rabisco.

Aprendi também a sempre ficar de costas para as paredes dos vagões no metrô. Assim, em casos de emergência (incluindo aqui apocalipses zumbi) você consegue enxergar toda a situação e decidir o que fazer.

Essa mania de querer controlar situações me leva a contar aqui o motivo de eu não ter fé.

Pra ter fé você precisa acreditar. Ou esperar que algo seja verdade (ou mentira), ou que aconteça (ou não) algo pra você ou outras pessoas. Ter fé é esgotar todas as suas forças e desejos e anseios em algo que pode ou não acontecer. E é esse pode que acaba comigo. Ter fé é ter esperança. É esperar. E eu não sei esperar.

A vida inteira eu acreditei que as coisas aconteciam por um motivo. Por muitas vezes, na esperança (tá vendo, ela de novo…) de encontrar uma explicação, eu colocava a culpa nas Moiras. Acontece que assim como a fé, elas não existem. E não decidem nada.

Tantos sentimentos em conflito e tantas convicções contraditórias. O existencialismo que espera, o hedonismo que sente culpa, a liberdade que prende.

Um dia eu acreditei que as coisas aconteciam por um motivo. Um dia eu deixei minha guarda baixa.

Um dia. Uma noite. Um nada.

E assim o raptor conquista a simpatia da apática senhorita, que não quer se fazer de vítima.

E é por isso que eu não (mais) acredito.

Eles não querem as malucas

E olha que eu demorei a chegar nessa conclusão. Eles gostam das princesas, que não falam palavrão, não gostam de rock, não jogam truco, não arrotam, não tomam cerveja e não gostam de futebol. Se tiver uma tatuagem maior que uma borboleta então… É aquela história.. Lady in the streets but a freak in the bed. Até aí, querer uma menina/mulher que seja decente e não uma causante faz todo sentido. Ninguém vai apresentar aos pais uma menina que fala palavrão, que arrota na mesa e que conta como foi beber meia garrafa de vodka pura e quente sozinha. Mas quem disse que essa menina que tem nove tatuagens, joga NFSU2, gosta de filme de terror, joga truco e gosta mais de futebol americano do que futebol não saiba falar ou se comportar? Quem disse que a menina vai comer a asa de frango com a mão e limpar a boca na toalha de mesa depois? Essa menina sabe conversar sobre teorias dos seis graus de separação, do caos, da relatividade e conspiracionais. Ciências, geografia, história, filmes, séries, música, vida de famosos, mecânica quântica e raças desconhecidas de cachorros. Ela conhece a fundo a vida das lulas gigantes, dragões de komodo e suricates da África. Gosta de crianças e adora conversar com elas sobre Hannah Montana, Zack e Cody, Phineas e Ferb, Padrinhos Mágicos… Ela também sabe lavar, passar, cozinhar (muito bem) e costurar. Pergunte a ela como se faz primeiros socorros. Já ouviu as piadas que ela conta? É incrível ver como eles preferem uma menina que só saiba sorrir diante dos outros. É incrível ver que tem gente perdendo muito. É engraçado..

Entrando em contradição…

Se eu fosse postar quantas vezes já sofri por causa de amores, eu ia precisar de pelo menos
Metade da internet do mundo inteiro. Eu digo amores porque lembro do meu primeiro amor.. Não lembro o nome dele, estávamos no primário e inclusive dançamos a dancinha da festa junina juntos, que naquele ano era country. Lembro do primeiro amor de Sorocaba no hotel que a gente ficou, e do tchauzinho sem graça que ele me deu. Lembro do Enzo de Avaré, fiquei num hotel fazenda e o conheci, passei as férias apaixonada, voltei pra casa apaixonada e nunca mais ouvi falar dele. Aqui em Mogi fui apaixonada pelo Rodrigo D. que era uma série acima da minha. Eu brincava de jeans e era rápida, e fazia de tudo pra ele me “pegar”, ou vice-versa. Depois do Rodrigo teve o Braga, que era o mais lindo da oitava série, quando eu tava na quinta ou sexta. Depois de cansar de sofrer o amor não correspondido, tinha ido viajar e compramos bala de gengibre. Eu muito boba sempre comprava bala pra ele. Quando voltamos às aulas, eu ofereci uma bala pra ele. Ele achava que eu era uma idiota. Essa foi minha primeira vingança amorosa. Ele cuspiu a bala e ficou com a boca ardendo provavelmente o resto da aula.
O meu primeiro beijo foi com 12 anos, na sala de estar da casa do aniversariante e por acaso no aniversariante. Eu tava de calça bag, moletom vermelho da gap e minhas famosas chuteiras vermelhas da Kelme. Eu era um menino praticamente. Fiquei apaixonada por ele por dois meses.. O tempo que eu morei no Hotel que foi quando minha casa pegou fogo. (pois é.) Depois dele teve tudo quanto é tipo de paixão platônica não correspondida afinal, tinha 12, 13, 14 anos, loira, na época não tão alta quanto hoje e não tão “encorpada”, com o rosto coberto por espinhas da puberdade. Foi depois dos 14 que as coisas mudaram, e desde então, eu sofro e tenho feito sofrer. Mais sofro do que tenho feito sofrer, é verdade. Já fiquei com cara bonzinho que não deu certo. Já fiquei com cafajeste na época e consegui “domar”. Fui apaixonada de escrever letra de música na parede e me trancar no quarto e chorar, e sair aliviada do quarto e partir pra outra. Antes, quando eu queria mudar, eu pintava o cabelo.. Já foi castanho, marrom, vermelho, manchado (por tentar pintar sozinha) com mechas roxas, rosas… Já mudei meu armário.. De “maloqueira”, fui pra patty, pra hard core, maluca da eletrônica.. Nunca passei pela fase funkeira, piriguete, biscatrance, pagodeira, ainda bem. Hoje continuo com meu bom e velho Punk Rock Californiano, hard core, rock… Detesto Beatles, aprendi a gostar de Los Hermanos.
Nesse meio tempo aprendi coisas que as meninas nunca gostaram.. Quadrinhos, video game, futebol, fórmula 1, luta livre. Quando saía com meus amigos, sempre era a menino da turma, não por aparência, mas por gostos e loucuras.. Sem medo de roubar placas, cones, pular muros, sair fantasiada na rua sem motivo aparente, beber igual um deles e, me desculpem o termo.. “apavorar”.

Já fiz curso de programação neurolinguística, sei como as pessoas reagem com seus movimentos, suas falas.. Não estou livre de erros, não sou perfeita, mas SEMPRE tento entender primeiro o que o outro quer dizer antes de dar o primeiro, segundo, terceiro passo. E ainda assim, erro pelo menos 80% das vezes. Não me pergunte como. Não sei responder.

Sempre fui muito ingênua a ponto de acreditar em tudo que os outros me contam, e, mesmo sabendo que todo mundo mente, nunca levo muito a sério o que eu penso até que aconteça algo. Meu sexto sentido funciona. Dificilmente ele erra, e quando eu digo erra, eu digo se atrasa ou adianta demais.
Eu acredito em várias religiões, acredito em vários deuses. Só acho que eles vivem de férias quando o assunto é atender pedido meu. Eu acredito em muita coisa, e precisaria de uns três posts pra tentar passar pra cá pelo menos metade deles. Uns interessantes, outros nem tanto.

Eu AMO cinema, música, arte de qualquer forma. Eu tenho tatuagem de filme. Eu acredito que músicas e filmes fazem você se sentir bem, livre de medos (a não ser que seja A Chave Mestra) e te mostra o mundo do jeito que você pensa através de uma tela (tinta, papel, caneta, filme). Enfim…

Eu acredito em muita coisa, e perdi a credibilidade em muita coisa que eu acreditava. Hoje, exatamente hoje, 06/09/08, 22:42, eu deixei de acreditar em uma grande parte dos meus sonhos, dos meus desejos, por não saber viver à expectativa deles talvez, mas principalmente por quebrar a minha primeira regra que é acreditar que todo mundo mente e que as pessoas tem um motivo pra isso.

Entrando totalmente em contradição com os meus princípios, eu acredito que um bonzinho possa ser um canalha, e acredito que um canalha possa vir a mudar futuramente, se ele deixar a mulher certa mostrar pra ele que o mundo não é do jeito que mostraram pra ele como era.

Eu entendo quando os homens viram cafajestes e entendo quando as mulheres ficam insensíveis, frias, com o coração como um “cubinho de gelo”… O que acontece é que um homem arrancou o coração de uma mulher e o mesmo uma mulher fez com algum homem em algum lugar do mundo, e desde então, homens e mulheres não acreditam em felicidade, não acreditam em amor, paixão, desejo, sem ser pura e estritamente carnal… Quem começou com isso? Nós nunca vamos saber..
Eu só acho que tá na hora de parar. Porque, depois de um ano e meio sem sofrer por ninguém, sem pensar em ninguém, em um semestre dois conseguem acabar com todos os meus princípios..

Eu não tô morrendo por causa disso, (Digo isso pra quem gosta de ler desgraça alheia) se tem uma coisa que nesse ano e meio que passou que eu aprendi é que, não importa o quanto eu esteja fodida.. Com exceção de pai e mãe, ninguém pára pra você consertar seu coração, limpar a maquiagem borrada e voltar pro mundo.. E sinceramente, eu não dou a mínima pra ninguém também. Mas isso não significa que eu não dou chance atrás de chance pro mundo me mostrar que mudou. Acontece que se eu caio, eu não perco tempo no chão.. Eu levanto e sigo em frente, ligo o Itunes, Taking Back Sunday, Millencolin, Rufio, Dashboard e parto pro mundo outra vez. Sem medo de cair, sem medo de derrubar, e sem medo de ajudar a levantar..

Não me convença do contrário. Não vai adiantar…