Welcome back, Alice!

Era tarde da noite quando vi que ela estava por lá. Veio acanhada, tadinha. Tipo um cachorro de rua mal tratado, molhado, com o rabo no meio das pernas. Aos poucos foi se soltando. Se sentindo em casa. Deitou na cama, finalmente. Na sua cama. Grande e confortável. Grande e vazia. E era disso que ela precisava. A cama só pra ela. O espaço que sempre teve pra si. O espaço que ela não fazia ideia que sentia falta. (eu fiquei no sofá) Na cama, com os braços por baixo da cabeça lembrou-se da goteira. Lembrou também de todas as decisões que teve olhando pra ela – As pessoas precisam de uma zona de conforto pra tomar decisões. A goteira era exatamente o que ela precisava.

Não foi preciso muito tempo pra chegar a uma conclusão, mas foi preciso muito tempo pra decidir que uma conclusão deveria ser tomada.

Olhando agora pras paredes foi fácil lembrar também por tudo que elas tinham passado. Essas paredes tem história. Ainda é possível ver manchas, vestígios/resquícios do que ela já foi. Assim como também vemos nas pessoas o que nunca deixaram na verdade de ser.

Covardes, medrosas, sem rumo. A parede era passado. Os medos e monstros também ficaram pra trás.

Ela encheu o peito de ar. Respirou bem fundo mesmo e disse.

Não posso mais esperar, coelho. Não posso mais me atrasar.

Alice está de volta. Seja bem vinda novamente.

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Sem pressa

Eu já não tenho mais a minha exceção. Já não existe mais o, “por você”, e é tão estranho não sentir nada e saber, ou ao menos acreditar que eu deveria senti-lo, por mais escroto e infeliz que fosse esse sentimento. É um vazio. Um buraco novo.
E não adianta cobrir um buraco com terra de um buraco novo. Ou um velho… As vezes acontece.

As feridas deveriam cicatrizar naturalmente. Sem pressa, sem forçar. O tempo não permite. Ou a falta dele. Se é que ele ainda existe.
O fato de não saber ao certo se sou eu quem controlo meu destino ou se é exatamente assim que as coisas deveriam acontecer é tão frustrante quanto o fato de não saber o que fazer. Ou como me sentir.
Não me ensine a viver. Nem do que eu devo gostar. Eu mesma já não sei mais o que fazer e, o fato de ter outras pessoas me direcionando só faz com que eu fique mais perdida.
Eu não sei pra onde quero ir, então qualquer lugar me serve.
Te encontro por aí. Sem pressa…

Johnny Cash – O verdadeiro homem de preto

Sempre deixo meus blogs abandonados por meses até decidir voltar a escrever, ou no mínimo ter inspiração pra começar um texto. Eis que hoje, quinta feira, 22 de março de 2012 cheguei no trabalho e bateu aquela vontade de ouvir a discografia inteira do Johnny Cash. Comecei pegando um vídeo dele com a June Carter cantando You Are My Sunshine, e resolvi que seria dele que escreveria. The biggest sinner of all, como ele se intitulava. Esse, é meu centésimo post no meu blog velho e querido. E é com prazer que conto pra vocês um pouco do cara mais foda dos últimos tempos.

John R. Cash nasceu dia 26 de fevereiro de 1932, em Kingsland, Arkansas e era o quarto de sete irmãos. Eles eram de uma família não muito rica, nem muito pobre. Acho que classe média baixa para aquela época se encaixa bem no perfil. E resumindo bastante a vida dele antes da carreira, ele começou a cantar e tocar violão bem cedo. Chegou a cantar na rádio local músicas gospel na época da escola e até gravou um álbum com essas músicas. Em 1950 ele se alistou no exército e foi dispensado (com honras e tudo mais) em 1954, quando ele casou com a primeira mulher, Vivian Liberto.

You told me once, dear, you really loved me
And no one else could come between.
But now you’ve left me and love another,
You have shattered all my dreams.

Com Vivian, Cash teve 4 meninas e por conta do uso abusivo de álcool, drogas e uma safadeza com as mulheres, ele se divorciou em 1966. Nessa ele já era famoso e já conhecia a June Carter, por quem ele sempre demonstrou (muito) interesse. Mas June era dessas difíceis e espertas mulheres que não dão mole pra “qualquer um” e fez o Johnny Cash pastar por 13, repito, TREZE anos na mão dela até de fato, em um show em London, Ontario, no palco, ele pedi-la em casamento e ela finalmente aceitar.

Infelizmente não existe um vídeo desse momento que deve ter sido completamente arrepiante e lindo. Então fiquem com os dois, já casados se apresentando em San Quentin.

We got married in a fever, hotter than a pepper sprout…

Johnny Cash e June Carter então se casaram e viveram felizes durante 35 anos. Tiveram um filho, escreveram e compuseram juntos algumas várias músicas de sucesso até que em 15 de maio de 2003, June Carter faleceu. O último pedido dela foi que Cash continuasse a compor e trabalhar e cantar e nos quatro meses que sucederam a morte de June, Cash escreveu 60 músicas e chegou inclusive a apresentar algumas delas.

Johnny & June

Cash tinha essa paixão de falar sobre a prisão, a “dorzinha no coraxaum”, humor e arrependimento e você consegue sentir isso tudo em um só álbum. Apesar da fama de Bad Boy, briguento e encrenqueiro que ele tinha, ele nunca deu trabalho de verdade ou foi preso por mais de uma noite por pequenas brigas, desentendimentos. No total, ele foi “preso” sete vezes. Cash também disse em várias entrevistas que ele experimentou todas as drogas possíveis e imagináveis.

Bad ass

Na última apresentação do Cash pro público, antes de começar a tocar ele falou sobre a June:

The spirit of June Carter overshadows me tonight with the love she had for me and the love I have for her. We connect somewhere between here and heaven. She came down for a short visit, I guess, from heaven to visit with me tonight to give me courage and inspiration like she always has.

O espírito de June Carter me cobriu essa noite pelo amor que ela tinha por mim e pelo amor que eu tenho por ela. Nós nos conectamos em algum lugar entre aqui e o céu. Ela veio para uma pequena visita, eu acho, do céu para me visitar hoje essa noite e me dar coragem e inspiração, como ela sempre fez.

Em 1997, Johnny foi diagnosticado com uma doença neurodegenerativa, que depois foi alterado pra um quadro de neuropatia associada a diabetes. Em 98 ele foi internado com uma pneumonia severa que acabou por danificar os pulmões dele. Os dois álbuns que ele lançou em 2002 eram mais calmos e “serenos” que o nromal, devido a esse problema. Cash faleceu menos de quatro meses depois que a June tinha falecido por complicações no quadro de diabetes.

Johnny & June

Quer dizer, o cara era o bad boy, rockabilly, rock’nroll, country, usuário pesado de drogas (largou depois), álcool, confusões, e sabia amar e ser amado. Sabia cantar e tocar como ninguém e influenciou um infinito de artistas que ouvimos hoje. A história de Cash é incrível de cabo a rabo e, se você ainda não conhece ou não ouviu pelo menos um álbum dele, não sabe o que está perdendo.

Walk the Line

Pra quem assistiu o filme Walk the Line com Joaquim Phoenix e Reese Witherspoon sabe da emoção que é ouvir e ver o Live at Folsom Prison acontecer. Johnny Cash sempre foi muito brincalhão, sarcástico, engraçado e nas cenas do filme isso se torna muito claro. Eu recomendo assistir não uma, nem duas, mas quantas vezes seu coração aguentar. É lindo demais!

Walk the Line

Discografia

Vai vendo o quão foda Johnny Cash foi durante toda sua vida…

55 álbuns em estúdio

6    live

84 compilados

165 singles

19 vídeos

2   soundtracks

13 singles no primeiro lugar

Deixo vocês então com uma das minhas músicas favoritas dele: Cocaine Blues. Tanto a imagem quanto o som não estão muito bons, mas queria que vocês sentissem um pouquinho da emoção e do arrepio que me dá quando me imagino em 1970, 1980 com ele cantando.

Essa música fala de quando ele foi preso por matar a mulher depois de cheirar cocaína. Ele tenta fugir, chega em Juarez no México e é preso. A desculpa dele por ter matado a “vadia” foi porque ele achava que era o único homem na vida dela, mas ela tinha mais outros 5 “daddies” (papais).

Update: Futuramente postarei algumas curiosidades e outras coisas legais que faltaram dizer sobre Johnny Cash!

As Aventuras de Sanseverini no SPFW Parte I

Pois é. Começa agora o diário de Letícia Sanseverini e Sanseverini (qualquer semelhança idiota com Lucas Silva e Silva é mera falta de criatividade) sobre o SPFW. Esse evento maravilhoso e totalmente excelente que acontece duas vezes por ano em algumas das cidades mais famosas e conhecidas do mundo. Pra escrever sobre, essa é minha primeira vez, e como toda primeira vez, com certeza vai ser inesquecível e nada melhor do que registrar cada momento do evento.

O SPFW só começa amanhã, mas hoje eu vou contar como foi chegar até aqui e não, não vou começar com um “Era uma vez” ou “papai e mamãe plantaram uma sementinha”. (outra piada infame.) Enfim.. Eu não moro em São Paulo.. Moro relativamente perto e uma amiga me disse hoje que viria pra cá pra passar uns dias na casa de uns parentes e eu aproveitei a carona. Agora imaginem, eu, a pessoa mais preguiçosa e acomodada do mundo correndo pra fazer a mala com todas as roupas, acessórios e catrefes necessários e desnecessários pra (tentar) me vestir bem num evento da moda. Eu tinha meia hora pra arrumar tudo, e até que consegui. Só falhei na missão na hora de pegar as blusas de frio. Na segunda pedi pra D. Terezinha (a santa daqui de casa) lavar tudo, e, adivinha? Não secou NADA. Ou seja, vou passar frio essa semana por aqui. Continuando.. Peguei tudo, coloquei no carro e parti pra SP com a minha amiga, a avó e a tia dela. A “viagem” foi engraçadíssima, a ponto de ter certeza que elas realmente eram parentes por causa da semelhança da doideira delas. Enfim, ela me deixou no Ipiranga e eu tinha que vir até a Liberdade. Com duas malas enormes, mais mochila. Cheguei bem, deu pra cansar, a net quando cheguei aqui enroscou, mas tá tudo certo. (Tá, pra primeira aventura nem foi aventura nenhuma mas o que vale é a intenção) Amanhã escrevo algo mais legal.

Obs: Tô assistindo novela. Segunda vez na minha vida que assisto Caminho das Índias.! Porque graças ao lixo de serviço prestado pela Telefônica, não tenho Globo, SBT, Record e Cultura. Muitíssimo obrigada espanhóis bobões!