Vende-se projetor de ilusões

Minha vida é uma eterna repetição de sentimentos. Um ciclo sem fim de aprendizados fracassados.

Eu não sei quando foi que isso começou, ou como foi que começou, mas algo deu início a esse vício que eu tenho de esperar, de querer, de imaginar. De projetar.

Projeções são uma merda. Projeções, no meu caso, são quase utópicas. Eu imprimo numa tela tudo que pintei com meus lápis imaginários e espalho essa ideologia pelas ruas. Distribuição em massa de sonhos.

Daí quando pegam isso e colocam em uma tela, ou então apontada pra parede, onde só se vê sombras, a gente descobre que nada é exatamente como o esperado. Que as projeções, outrora tão reais não passam de uma imaginação muito fértil. Mas isso não me impede de pegar outra folha transparente e começar todos os rabiscos de novo.

Eu projeto porque desejo. Eu desejo porque é maravilhoso. Mas será que é mesmo? Pode ser, mas não é só com você.

E é isso, eu espero.

Não, não tô aqui pra dizer que espero algo de alguém. Não é isso. Mas eu esperava mais de mim.

Eu me cobro por não ser o que você quer. Me cobro sem ter culpa, afinal eu fiz tudo que podia. Na verdade eu fiz tudo que queria. Com tanto gosto que mesmo depois de tanto tempo ele ainda continua. Pra perturbar. Pra incomodar mesmo.

Logo eu, cheia de manias e compulsões… Logo eu, cheia de nãos e nem pensar… Logo eu…

Eu. Que não queria nada. Que jurava que não esperava nada. Que caiu de boca, de corpo, de alma e cabelos embaraçados.

E nessa bagunça toda, debaixo de lençóis e travesseiros, depois de tudo, na verdade, a gente descobre que não é bem assim. Que existem outras 700 possibilidades.

Eu esperava tanto ser algo que não significa nada que hoje eu sou só isso mesmo.

Nunca acredite em quem diz que tem coração

Nunca acredite em quem diz que tem coração

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Master Chef Relationships

Eu um dia acreditei que sabia de tudo sobre o amor e relacionamentos.

Achava que entendia de amores platônicos, não correspondidos, mal correspondidos e até aqueles em que quem não corresponde sou eu. Eu também achava que já tinha amado e sido amada reciprocamente, mas o fato de eu achar que sei de tudo sobre algo não faz de fato com que eu saiba de tudo sobre algo. Ou então que o que eu ache que eu sei seja uma verdade ou padrão.

Então nessa onda de me sentir chef em relacionamentos eu vivi minha vida. E um dia me encontrei. E foi nesse dia que me perdi.

A vida tinha me dado uma oportunidade de escolher pratos maravilhosos, sensações únicas e aromas inigualáveis. Todos eles saídos da minha cozinha. A mistura dos temperos, o sabor que tudo tinha. Tão gostoso. Tão apimentado. Tão bem disposto num prato importado. Foi quando, do nada, (ou talvez não tão do nada assim) as coisas começaram a mudar.

Como um chef que, sem querer desanda a massa e não consegue mais acertar a mão, tudo que eu sentia foi desandando. Como num bolo cheio de chantilly num dia quente de verão. Nada mais era certo e toda medida parecia errada. A pressa deixava tudo cru e a falta de atenção tudo queimado.

E assim eu tinha perdido toda receita do bolo. Desde a massa até a cobertura. O recheio? Esquece. Faltou o principal ingrediente pra dar a liga.

Quando um chef perde a inspiração, ele perde parte da vontade de viver. Quando seu maior prazer é agradar alguém e esse prazer é tirado de você, seja pelo destino, seja pela incompetência, seja pelo caralho, é muito difícil voltar a sentir aquele desejo de picar, cortar e sentir o aroma, ver a fumacinha que os pratos quentes soltam. Aos poucos as coisas perdem o sabor. Aos poucos tudo se torna amargo, sem sal, sem açúcar, sem tempero.

Eu achava que como chef já tinha queimado demais meus dedos em panelas. E achava que como um ser humano que (diz que) sente, já tinha calejado esse coração cansado.

Então eles dizem: parece que o jogo virou, não é mesmo?

Parece que sim.

heartmeasuringspoon

Look do dia

Dá vontade de usar só cinza. De usar só preto. Viver no luto, como se a roupa mostrasse o que a alma tenta esconder.

Dá vontade de cantar pra você ouvir, pra você chorar, pra você não esquecer. Eu não vou esquecer.

E aí eu me vejo entre um cigarro e outro, bebendo um gole e outro. E tudo conecta a você. A teoria dos seis graus de aproximação. É como se toda conversa me remetesse a tudo que a gente nunca viveu. Como se cada estrofe contasse um verso de um poema que nunca aconteceu.

E aí eu me vejo largando tudo pra achar que eu vou encontrar com você.

Essa terça? Não dá. Acho que tenho um compromisso.

Ih, esse final de semana? Não sei não. Tô esperando um convite.

A disponibilidade me fez vítima. Me fez dependente. Te fez vilão.

Eu não vejo meus amigos. Eu não vejo outras pessoas. Eu só vejo você.

Hoje eu saio de preto, como se minhas roupas mostrassem o que a alma tenta esconder.

Mas a real mesmo é que é só uma calça e uma camiseta que não significam nada.

Camiseta preta. Igual a que você me emprestou aquele dia….

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